A Cooperativa Agroindustrial São Jacó (Cooperagri) aposta em um modelo de gestão que tem a alternância como princípio de fortalecimento institucional. A passagem do cargo de Edson Ricardo Dahmer para Cléo Maurício Ahlert, em março, representa a continuidade de uma filosofia construída ao longo dos anos dentro da cooperativa.
Integrante do conselho desde 2011, Edson explica que a alternância foi sendo consolidada como uma prática interna, mesmo sem imposição direta do estatuto. “O que a gente procurou estabelecer lá dentro foi fazer trocas, mas não trocar todo mundo, para ter pessoas com experiência e, claro, puxar gente nova para oxigenar as ideias”, afirma.
Segundo ele, esse modelo tem garantido equilíbrio entre renovação e continuidade. “Está funcionando muito bem. Fica uma parte, vem gente nova e, assim, a gente vai alternando”, complementa.
Embora o estatuto permita reeleições sucessivas, a decisão de não prolongar mandatos surgiu de um entendimento interno. “Eu poderia ir de novo e de novo sem problema algum, mas não vejo a necessidade de me perpetuar. Vamos dar chance aos outros”, destaca Edson.
Cléo Maurício Ahlert assume a presidência dentro desse contexto, após já ter participado do conselho e acompanhado de perto a gestão anterior. Ele admite que o convite inicial foi recebido com cautela, principalmente pelas demandas da propriedade rural. “Eu relutei um pouquinho no início, também porque não tinha muita folga para assumir a cooperativa no momento”, conta.
Ainda assim, o vínculo com a Cooperagri e o conhecimento acumulado ao longo dos anos pesaram na decisão: “A gente vai pegando gosto pela coisa, conhece bem o pessoal e tenta sempre ajudar da melhor forma possível”.
Para o novo presidente, a alternância é essencial para preservar o caráter coletivo da cooperativa. “Acho que não pode se criar raízes lá dentro. Tem pessoas e ideias novas que podem agregar. A cooperativa é dos associados, não pode ser uma pessoa só no comando”, ressalta.
Esse modelo também dialoga com a própria estrutura do cooperativismo, na qual os dirigentes são produtores e precisam conciliar a gestão com suas atividades no campo. Cléo atua na cooperativa em períodos específicos da semana, tendo a propriedade como prioridade. “A exigência é que 50% da renda venha da agricultura, então é difícil largar tudo para assumir integralmente”, complementa o presidente.
A sucessão, nesse sentido, não rompe com a gestão anterior, mas mantém uma linha de continuidade apoiada na experiência acumulada e no trabalho em equipe. Edson reforça a confiança no sucessor. “A Cooperagri está em ótimas mãos. Disso eu não tenho dúvida”, afirma.
Mesmo com o foco na transição de liderança, os desafios do setor seguem no radar. A cooperativa vem de um ano positivo em 2025, com crescimento de 13% e resultado líquido expressivo, mesmo diante de dificuldades no setor leiteiro.
Para 2026, no entanto, o cenário é mais incerto, com metas mais conservadoras e influência de fatores externos, como custos de insumos e instabilidade de mercado.
Ainda assim, a base construída pela cooperativa e o modelo de governança adotado reforçam a confiança no futuro. A mensagem dos dirigentes é de continuidade e abertura. “O associado pode chegar lá, as portas estão sempre abertas”, afirma Cléo. Já Edson reforça o compromisso com a transparência. “Os números são mostrados como realmente são. Não tem maquiagem”, conclui.

