Dados da 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) apontam números elevados de óbitos e internações por gripes devido à circulação de vírus respiratórios terem chegado mais cedo neste ano. São 223 internações e 15 mortes relacionadas à Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e seus subtipos.
Do total de óbitos, oito foram causados por influenza, três por SRAG não especificada, dois por covid-19 e dois por outras síndromes respiratórias graves. Diante do cenário, especialistas voltam a recomendar medidas amplamente adotadas durante a pandemia, como vacinação, uso de máscaras em caso de sintomas e ventilação dos ambientes.
O médico infectologista Humberto de Alencar Oliveira da Costa, responsável pelo Ambulatório de Infectologia de Teutônia, afirma que o aumento dos casos é percebido diariamente nos serviços de saúde da região. “Nitidamente os casos de influenza aumentaram muito. Houve crescimento da demanda nos postos de saúde, no pronto-socorro do Hospital Ouro Branco, nos consultórios e também por relatos de colegas de toda a região”, observa.
Conforme ele, a influenza apresenta comportamento sazonal, mas em 2026 a circulação dos vírus foi antecipada pelas condições climáticas. “A surpresa deste ano é que veio mais cedo. Em vez de termos um veranico em maio, tivemos praticamente um inverno em maio. Essa antecipação do frio, associada às aglomerações e aos ambientes fechados, favoreceu a transmissão do vírus”, explica.
Escolas favorecem a transmissão
A preocupação também chega às instituições de ensino. Em algumas escolas da região, professores relatam aumento expressivo de afastamentos por doenças respiratórias.
Conforme o infectologista, ambientes escolares reúnem fatores que facilitam a disseminação viral. “Aglomeração, salas fechadas e pouco distanciamento aceleram a transmissão. O ideal seria manter ambientes ventilados, com janelas abertas, menos aglomeração, além do uso de máscaras quando necessário e da vacinação em dia”, destaca.
O médico ressalta, porém, que a realidade social impõe dificuldades para o isolamento dos estudantes. “Nem sempre os pais conseguem permanecer em casa para cuidar dos filhos ou retirá-los da escola. É uma situação complexa que envolve também aspectos econômicos e de organização familiar.”
Casos graves dependem de vários fatores
Embora muitas pessoas associem a gripe a um problema simples, o especialista lembra que alguns pacientes podem evoluir para quadros graves. Segundo ele, fatores como idade avançada, presença de doenças crônicas, baixa imunidade e desenvolvimento de pneumonia influenciam diretamente no risco de hospitalização e morte.
Entre os principais sinais de alerta estão febre, dores no peito ao respirar, dificuldade para realizar atividades normais e agravamento dos sintomas após os primeiros dias da doença.
Vacinação reduz a circulação do vírus
Para o infectologista, a baixa cobertura vacinal continua sendo um dos principais desafios. Ele compara o processo a uma barreira coletiva contra o vírus. Quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor é a capacidade de circulação e multiplicação do agente infeccioso. “O vírus precisa de pessoas para sobreviver e se replicar. Quando encontra uma população vacinada, perde força porque encontra indivíduos protegidos por anticorpos. Quanto menos pessoas vacinadas, mais fácil é para ele se espalhar”, afirma.
O médico lembra ainda que a proteção não é imediata. “O organismo leva cerca de duas a quatro semanas para desenvolver uma resposta imunológica adequada após a aplicação da vacina.”
A imunização disponível neste ano protege contra diferentes cepas do vírus influenza, incluindo o H1N1.
Máscaras voltam a ser recomendadas
Entre as orientações mais importantes está o retorno do uso de máscaras por pessoas com sintomas gripais. “A máscara é uma proteção para os outros. Se estou gripado, transmito muito menos vírus utilizando máscara. É um cuidado coletivo e também individual — destaca.”
Além da máscara, o especialista recomenda manter os ambientes ventilados e reforçar a higiene frequente das mãos.
Cenário é estadual
Apesar dos números elevados na região, Humberto ressalta que a situação não caracteriza um surto localizado. “Não é um surto regional. É um aumento sazonal acima do esperado que está acontecendo em todo o Rio Grande do Sul”, conclui.
Segundo os dados da 16ª CRS, os 15 óbitos registrados até o momento estão distribuídos entre oito casos de influenza, três de SRAG não especificada, dois de covid-19 e dois relacionados a outros tipos de síndrome respiratória grave. Ao todo, a regional contabiliza 223 internações por doenças respiratórias graves em 2026.

