Paola Krieger une gestão à beleza para impulsionar negócios

Empresária compartilha trajetória de transição da contabilidade para o empreendedorismo e aposta em cursos e mentorias para formar novos profissionais para o setor

Natural de Novo Hamburgo e moradora de Teutônia desde os 18 anos, Paola Krieger construiu uma trajetória marcada por mudanças, recomeços e aprendizado contínuo. Após atuar por mais de 7 anos na área contábil, decidiu transformar o interesse pelo mercado da beleza em profissão. Ela iniciou os atendimentos em um pequeno espaço, enquanto conciliava a nova atividade com o emprego formal, até consolidar a transição para o empreendedorismo.

Hoje, além de ser proprietária do Paola Krieger Espaço de Beleza, também é mentora na área. Traz conceitos de gestão financeira, liderança de equipes, organização de processos e posicionamento de mercado para outras profissionais. Ao Grupo Popular, ela relembra os desafios da trajetória e destaca a importância de entender de gestão para o sucesso em um dos segmentos que mais cresce na economia.

Grupo Popular – Quem era a Paola Krieger antes de ingressar na área da beleza?

Paola Krieger – Sou natural de Novo Hamburgo. Aos meus 18 anos, vim morar em Teutônia com meu marido, que é daqui. Na minha adolescência, fiz curso técnico em Contabilidade. Quando vim morar em Teutônia, comecei a trabalhar num escritório de contabilidade, onde fiquei por 7 anos e meio. Mas não era bem isso que eu queria para a minha vida. Então, comecei a fazer cursos na área da beleza e a atender depois do horário. Fiquei por um bom tempo trabalhando assim, até que veio o momento da decisão.

GP – O quanto esse período na contabilidade ajudou a desenvolver o negócio?

Paola – Muito. É uma área que eu não gosto, mas que, para o meu negócio, é fundamental. Hoje, vejo que consigo me diferenciar e ter clareza sobre o meu negócio por esse conhecimento. Consigo analisar os números, tenho noção do financeiro, entendo tudo por causa disso. Quando comecei a fazer meus cursos, atendia em um quitinete. Era muito simples, bem precário, mas foi o meu começo. Depois disso, tive sociedade em um salão de beleza. Eu seguia trabalhando na contabilidade no horário comercial e atendia de noite ou no intervalo do almoço.

GP – Como foi a decisão de focar somente no mercado da beleza?

Paola – Levei 1 ano nessa transição. Quando decidi que ficaria só na área da beleza, foi difícil, por causa da insegurança. No escritório onde trabalhava, eu não poderia simplesmente sair, porque eles também precisavam de mim. Quando eu saí definitivamente, já tinha o salão, o material, a técnica e tudo para dar certo. No primeiro dia, me senti um passarinho fora da gaiola. No empreendedorismo, a gente tem que correr atrás do trabalho. No CLT, o trabalho vem até a gente. Então, depois daquela primeira semana, veio um choque de realidade. A partir dali, comecei a trabalhar redes sociais, marketing e boca a boca.

GP – Por que você encerrou a sociedade para seguir sozinha?

Paola – A minha saída do salão foi um pouco conturbada, mas foi necessária. O sócio tem que andar junto contigo, te complementar e caminhar na mesma direção. As ambições eram diferentes. Eu já vinha percebendo isso há bastante tempo, mas não conseguia tomar a decisão. Nesse período, montei uma escola de beleza. Essa ideia foi boa, porém, não consegui seguir. Então, fechei a escola e passei a atender. Saí do salão e levei meus atendimentos para esse espaço.

GP – Como foi esse recomeço?

Paola – Trabalhei sozinha por 3 ou 4 anos. Foi um momento em que eu precisei pensar muito, porque às vezes a gente acha que o mercado funciona de uma forma, mas não é bem assim. Nesse período, eu atendi em outras cidades também. Tinha uma mala de viagem, colocava todo meu material dentro e saía muitas vezes às 5h, 5h30 para atender em Boa Vista do Sul. Fiz isso por muitos anos. Percebi que gostava da área da beleza, sim, mas só atender e executar a técnica perfeitamente não ia me fazer crescer. O momento de virada foi quando eu comecei a montar equipe. Sozinha eu ficava limitada, porque existe um limite físico de tempo. Hoje as pessoas querem praticidade, vir num lugar e fazer tudo. Quando eu percebi isso, entendi que, se eu não evoluísse, eu ia ficar parada.

GP – Contratar pessoas foi desafiador?

Paola – Foi um desafio muito grande. Fui trabalhando minha mente para tentar, e se não desse certo tudo bem, mas deu certo. Hoje, tenho uma equipe muito boa. A maioria já são profissionais que têm curso e experiência. No passado eu até tive essa pegada de formar, mas hoje as que estão comigo já vêm prontas de outros lugares.

GP – Como as mentorias surgiram na tua caminhada?

Paola – Foi quando eu percebi que o crescimento não viria só com técnica. Com o crescimento do negócio vieram gestão de tempo, de pessoas, financeira e de processos. A gente mudou para um espaço maior, com mais de 90 metros quadrados. As pessoas começaram a me perguntar como eu conseguia manter profissionais por tanto tempo e como elas conseguiam clientes. Isso vem de gestão. Estamos entrando cada vez mais nessa área de cursos e mentorias, mostrando o que funciona e o que não funciona, tanto no presencial quanto no digital.

GP – Qual o teu conselho para os jovens que pretendem empreender, independente da área?

Paola – A principal dica é que a pessoa se permita conhecer. Isso vale para quem está começando e também para quem já tem 30, 40 ou 50 anos. É fundamental entender o que você realmente gosta de fazer. Nós passamos muitas horas trabalhando, então é importante escolher uma atividade que faça sentido e traga satisfação. Trabalhar apenas por obrigação torna tudo muito mais difícil. Depois de descobrir aquilo que gosta de fazer, é preciso executar com dedicação, buscar excelência e fazer o trabalho com prazer. Quando o medo aparecer, porque ele aparece para todo mundo, é preciso seguir em frente mesmo assim. O medo faz parte do processo.

Assista à entrevista

Mais Notícias

Tópicos Relacionados:

Publicações do Autor

Bets: O cassino que (não) cabe no bolso

Basta desbloquear o celular. Em poucos segundos, qualquer pessoa pode acessar uma plataforma, escolher um evento esportivo ou um jogo de cassino virtual e...

Justiça centraliza cobranças contra a Languiru

A Justiça de Teutônia determinou a centralização das cobranças movidas contra a Languiru e suspendeu aproximadamente 70 execuções individuais em andamento contra a cooperativa....

Pecanicultura: Diversificação avança e fortalece renda no campo

Há cerca de 15 anos, Jurandir Ferrari decidiu apostar em uma cultura pouco conhecida para a maioria dos agricultores da região. Acostumado ao trabalho...

Bunker Barbearia projeta expansão com base na experiência do cliente

Empreendedores à frente da Bunker Barbearia, Carlos Krüger e Cristiam Rech uniram competências e afinidades para iniciar a empresa que se consolidou em menos...