O número de produtores de leite diminui, mas a produção segue em alta no Vale do Taquari. O tema foi debatido pelo presidente da Cooperativa Dália Alimentos, durante entrevista ao programa Comunidade Alerta da Rádio Popular. Sediada em Encantado, a antiga Cosuel chegou a contar com 3 mil produtores de leite. Hoje, o número chega a 1,1 mil, mas a captação diária se mantém entre 850 mil e 900 mil litros.
Piccinini atribui o resultado a um processo de concentração da produção e maior profissionalização das propriedades. Segundo ele, as propriedades que investem em eficiência ampliam sua competitividade, enquanto aquelas que não acompanham a evolução da atividade acabam deixando a produção. “Os produtores que permanecem na atividade são mais focados e esse processo de concentração deve continuar”, acredita.
A transformação da cadeia leiteira foi um dos principais assuntos do Dália+100, evento promovido para discutir os desafios das diferentes atividades e projetar o centenário da cooperativa – que completará 80 anos em 2027 (15 de junho de 1947). Neste ano, o leite ganhou luz pela sua expressão social. A programação reuniu especialistas para debater sucessão familiar, gestão das propriedades e perspectivas de mercado.
Indicadores elevados
Os indicadores apresentados durante o encontro mostram que a média de produção dos associados da Dália é superior à média brasileira. O presidente da cooperativa atribui o desempenho aos investimentos em assistência técnica, manejo, genética, nutrição e gestão, fatores que têm elevado a eficiência das propriedades rurais.
Programas como o Vale dos Lácteos e o Leite Saudável integram a estratégia da cooperativa para elevar os índices de produtividade e qualidade. “As propriedades que investem em eficiência ampliam sua competitividade, enquanto aquelas que não acompanham a evolução da atividade acabam deixando a produção”, ressalta.
Na avaliação do dirigente, a atividade leiteira passa por um processo semelhante ao observado anteriormente nas cadeias de aves e suínos, com aumento da escala de produção e maior especialização das propriedades. Piccinini também destaca o crescimento da participação feminina na gestão das fazendas como um movimento que contribui para a profissionalização.
Continuidade dos negócios
Além dos aspectos técnicos, o Dália+100 dedicou parte da programação ao planejamento das propriedades para as próximas gerações. “A cooperativa defende que a continuidade da atividade depende cada vez mais da organização da sucessão familiar e da adoção de modelos de governança que preservem a viabilidade econômica”, aponta.
Especialistas apresentaram ferramentas de planejamento patrimonial e sucessório, além de discutir alternativas para evitar a fragmentação das propriedades rurais. Conforme Piccinini, os produtores precisam compreender que herança é diferente de sucessão. “Muitos empreendimentos deixam de existir não por falta de rentabilidade, mas pela ausência de planejamento entre as famílias”, alerta.
O dirigente afirma que a cooperativa prefere utilizar o conceito de continuidade dos negócios, incentivando que o planejamento seja realizado antes da transferência do patrimônio. “A proposta é criar condições para que as futuras gerações permaneçam ligadas à atividade, mesmo que nem todos os herdeiros atuem diretamente na produção”, explica.
Desafios do mercado
Apesar dos avanços em produtividade, Gilberto Piccinini ressalta os desafios enfrentados pela cadeia leiteira. Entre eles, destaque para a concorrência de produtos importados, especialmente o leite em pó proveniente de países vizinhos, que operam com custos tributários e financeiros inferiores aos brasileiros.
“A diferença nas condições de produção reduz a competitividade do produtor nacional e exige maior atenção das autoridades”, alega. Para o presidente da Dália, fortalecer a cadeia leiteira passa tanto pelos investimentos realizados dentro das propriedades quanto por políticas que garantam equilíbrio nas condições de concorrência e preservem a produção regional.


