O cenário empresarial contemporâneo exige mais do que apenas competência técnica; ele demanda uma liderança sólida, resiliente e estratégica. No dia 13 de agosto, Teutônia será o palco da terceira edição do evento “Pense Como Líder”, uma iniciativa que visa transformar empresários em gestores de alta performance e desenvolver pessoas que buscam se qualificar na liderança.
O tema Liderança foi o foco central do programa “Empreendedoras em Ação” de quinta-feira (30/7), quando a psicóloga e mentora de líderes, Maria Lúcia Griebeler, acompanhada das empresárias Francine Martins (Anefran) e Lauren Gräbin (Telsoni), debateu os dilemas e as conquistas de quem está à frente de grandes negócios.
Liderança começa em si mesmo
Para Maria Lúcia Griebeler, o processo de liderar uma equipe ou uma empresa é, antes de tudo, uma jornada interna. Ela defende que a liderança exige autoconhecimento e a capacidade de liderar a si mesmo antes de tentar guiar os outros. “A liderança é um papel evolutivo do ser humano. Precisamos nos tornar pessoas melhores para sermos líderes melhores”, afirma a psicóloga.
Diferente do que muitos acreditam, a liderança não é necessariamente uma habilidade nata, mas sim um comportamento treinável que nasce de uma decisão pessoal. Segundo Maria Lúcia, o principal objetivo do desenvolvimento de um líder é trabalhar o discernimento e a sabedoria na tomada de decisão, permitindo que o gestor saiba o que deve ser aplicado imediatamente e o que deve permanecer no radar estratégico.
O desafio de delegar
Um dos pontos mais sensíveis abordados pelas convidadas foi a dificuldade de delegar tarefas. Maria Lúcia aponta que uma das maiores barreiras para o crescimento de uma empresa é a resistência do líder em “empoderar o ego do outro”. Muitas vezes, o gestor acredita que é o único capaz de realizar uma tarefa com perfeição, o que gera uma sobrecarga e impede o desenvolvimento da equipe.
Lauren Gräbin, que atua na Telsoni, empresa familiar com 40 anos de história, compartilha que, embora tivesse um perfil de liderança desde a escola, o processo de confiar tarefas aos colaboradores foi uma construção gradual. “Para o líder, é complicado delegar no início. Vem aquela pergunta: ‘essa pessoa vai fazer tão bem feito quanto eu?'”, revela Lauren. No entanto, ela destaca que, através de alinhamentos e conversas constantes, o fluxo de trabalho torna-se mais leve e eficiente.
Francine Martins, à frente da marca Anefran, reforça esse sentimento. Ela confessa que seu maior desafio era confiar que o outro faria um trabalho de qualidade, o que a levava a centralizar tudo para “ganhar tempo”. “É libertador quando a gente desconstrói isso. Hoje, quando decido um novo projeto, já envolvo a equipe na construção para que eles conduzam o processo”, explica Francine. Para ela, o verdadeiro sucesso ocorre quando a empresa consegue funcionar de forma independente da presença constante do dono.
Visão de drone
A transição do nível operacional para o estratégico é fundamental para a sustentabilidade do negócio. Maria Lúcia utiliza a analogia do jogador de futebol Messi para explicar a importância das pausas estratégicas. Embora pareça caminhar em campo, Messi está, na verdade, mapeando o jogo com uma “visão de drone”, o que lhe permite agir com precisão cirúrgica no momento certo.
“O papel da liderança é entender que, às vezes, é preciso parar de correr para começar a caminhar e enxergar onde se está deixando dinheiro na mesa ou onde falta uma orientação para a equipe”, pontua a mentora.
Francine admite que fazer essas pausas é desafiador, especialmente com as rápidas mudanças tecnológicas, como a inteligência artificial, que exige atenção constante para o futuro. Já Lauren destaca que olhar o negócio “de cima” permite perceber pequenos detalhes que fazem toda a diferença nos resultados finais.
A força do Networking
Ser líder não se restringe às paredes da empresa. Para as empresárias, a liderança deve ser exercida com coerência em todos os espaços: na família, na comunidade e nas redes sociais. “Quando a gente assume a nossa verdade, a coerência vem naturalmente. Não é porque estamos líderes que sabemos tudo; pelo contrário, somos quem mais precisa aprender para transmitir isso aos outros”, reflete Francine.
A participação em grupos de mentoria, como o Infinity Class, tem sido um diferencial para essas gestoras. A troca de experiências com profissionais de diferentes setores ajuda a humanizar os problemas e encontrar soluções compartilhadas. Francine menciona que ouvir a trajetória de grandes empresas, como a Docile em um dos encontros, mostrou que os desafios são os mesmos, mudando apenas a proporção.
Pense como Líder
A terceira edição do evento “Pense Como Líder”, que acontece no dia 13 de agosto em Teutônia, promete ser uma imersão profunda em branding, posicionamento, comunicação e mentalidade de decisão. Além de Maria Lúcia Griebeler, o encontro contará com palestrantes como Giane Guerra, Cristine Grings e Eduardo Nogueira, que compartilharão estratégias sobre como liderar e gerir frente a cenários de crise e instabilidade.
O evento é direcionado a empresários, gestores e jovens profissionais que buscam resultados consistentes e uma liderança que gere impacto positivo e sustentável a longo prazo. “Queremos que o desenvolvimento da liderança aconteça de forma leve, com resultado e em uma crescente constante”, conclui Maria Lúcia.

