Emendas e divisão de votos desafiam Vale do Taquari

A eleição de 2026 coloca o Vale do Taquari diante de um desafio antigo: transformar seu eleitorado em força suficiente para eleger representantes da própria região. Para o cientista político Maurício Wermann, os números indicam possibilidade de conquista de uma cadeira na Assembleia Legislativa, mas a divisão entre candidaturas pode dificultar o resultado. Ele citou a votação de Maneco Hassen na eleição anterior como um dos elementos para essa análise positiva para a região – ele fez mais de 37 mil votos e quase se elegeu.

Wermann também apontou a existência de espaço para uma segunda candidatura competitiva. Ele citou Roberto Lucchese e destacou a capacidade do candidato de buscar votos além do Vale do Taquari. O cientista político ainda considera possível o surgimento de uma surpresa durante a campanha, principalmente pelo chamado trabalho de base. Aí ingressa o nome de Mateus Trojan, ex-prefeito de Muçum. “Acredito muito no trabalho de base, no chamado ‘trabalho de formiguinha’”, disse Wermann.

Apesar da redução de 16 (em 2022) para nove (em 2026) candidatos a deputado estadual, a divisão de votos aparece como um dos principais pontos de atenção. Wermann avaliou que três candidaturas do PL na região reduzem significativamente as chances de eleição. Ele também mencionou duas candidaturas do MDB e afirmou que as estratégias partidárias precisam considerar os efeitos dessa pulverização.

Para o entrevistado, uma eventual união regional em torno de um único candidato a federal ou poucos candidatos em nível estadual exigiria que o eleitor abrisse mão de preferências ideológicas. Ele considera que “a sociedade ainda não alcançou esse grau de amadurecimento político”.

Máquina das emendas

Outro fator destacado na entrevista foi a influência das emendas parlamentares, neste caso analisando o cenário para deputado federal. Serão cinco candidatos domiciliados no Vale concorrendo contra quem tem “a máquina das emendas” na mão. Segundo Wermann, vereadores e lideranças municipais tendem a apoiar deputados que destinam recursos para suas cidades. Essa dinâmica fortalece quem já possui mandato e cria uma vantagem para os candidatos estabelecidos.

Candidatos a deputado federal / Crédito: Produção com fotos do TSE

Legenda ou pessoa?

O cientista político também analisou o comportamento do eleitor. Ele afirmou que os resultados anteriores indicam forte peso da escolha individual em relação à legenda. Ao mesmo tempo, descartou a possibilidade de separar completamente o candidato do partido ao qual pertence.

Abstenção

A participação eleitoral também preocupa. Wermann mencionou que cerca de 20% do eleitorado deixa de votar. No Vale do Taquari, o percentual representaria aproximadamente 40 mil votos, número suficiente para eleger um deputado estadual e que pode ter impacto relevante na disputa por uma cadeira a federal.

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