Com campeões de volta, Juventude de Guaporé quer repetir fórmula do título de 2024

Elenco reformulado, novo comandante e experiência devem ser fatores cruciais na campanha.

O Campeonato Regional Certel Sicredi da Aslivata 2026 já começou, e o Juventude de Guaporé entrou em campo com a premissa de que pretende estar entre os protagonistas da competição.

Depois de três rodadas, a equipe soma duas vitórias e uma derrota, resultado que mantém o time próximo da parte de cima da tabela e reforça a expectativa de uma disputa bastante equilibrada ao longo da primeira fase.

A campanha começou em casa, com vitória por 3 a 0 sobre o Gaúcho de Progresso. Na rodada seguinte, o Juventude foi até Canudos do Vale e foi derrotado pelo Minuano por 2 a 1. A resposta veio na 3ª rodada, quando superou o Cruzeiro, em Cruzeiro do Sul, por 2 a 0.

Agora, o próximo compromisso será novamente em Guaporé. Neste domingo (23/8), o Juventude recebe o Canabarrense, em reedição das semifinais de 2024 e das oitavas de 2025.

Para o presidente Ricardo Cecon, o nível da competição aumentou em relação ao ano passado. Com 19 equipes inscritas e 16 vagas para a próxima fase, a margem para erros é pequena. “É um campeonato muito equilibrado e do detalhe”, avalia.

O cenário é marcado por várias equipes capazes de competir. Cecon cita nomes como Brasil, Tiradentes, Serrano e Taquariense, mas ressalta que a diferença entre os demais clubes também é pequena.

A percepção ajuda a explicar a postura adotada pelo Juventude na montagem. O clube promoveu mudanças pontuais e trouxe jogadores conhecidos no futebol regional, entre eles Bruno Colaço, Fabrício Dutra, Josué, Felipe Gedoz e Laércio.

“Não sei dizer se estamos mais fortes. Sei que o ano passado não encaixou”, reconhece. “Esperamos que esse ano seja diferente, que o vestiário possa agrupar, o time entrose e as coisas possam acontecer”, destaca.

Time campeão

A referência para a temporada está na campanha de 2024, quando o Juventude conquistou o título em Guaporé. Para o presidente, uma das principais diferenças daquela equipe estava na relação construída. “Se pedir para qualquer atleta do Juventude que foi campeão, ele vai te responder: se nós tivermos o vestiário de 2024, é um grande passo para fazer um bom campeonato. O segredo está nisso, garantir entrosamento e química”, comenta.

É essa característica que o clube tenta recuperar em 2026. A campanha do ano passado, quando o Juventude não conseguiu avançar como esperava, ficou como aprendizado para a diretoria.

A temporada também trouxe uma mudança no comando técnico. João Figueira deixou a função, e Remor Bagnara assumiu a equipe.

A escolha foi pensada a partir da experiência do novo treinador, que teve passagem pelo futebol profissional e conhece jogadores e equipes da região. “O João foi campeão, trabalhou com a gente no passado sempre com toda a seriedade. Não tivemos problema nenhum. Mas o time não encaixou, então optamos por mudanças”, explica.

Ao mesmo tempo, o dirigente reconhece uma dificuldade que atinge praticamente todas as equipes do Regional: a impossibilidade de manter um ritmo intenso de treinamentos com um elenco formado por jogadores espalhados por diferentes cidades.

“É um campeonato muito forte, porém você não tem condições de treinar, porque os atletas são muito espalhados. Então, até para fazer um amistoso é difícil”, analisa.

Por isso, o acerto dos times tende a acontecer durante a própria competição. “Todos vão levar uma, duas ou três rodadas para alinhar seus esquemas. É normal e do jogo”, acrescenta o presidente.

Elenco recheado

Outro aspecto que chama a atenção no Juventude é a quantidade de jogadores à disposição para o meio-campo. Cecon cita Caju, Josué, Douglas Lucini e Guaporé como alternativas, além de atletas que podem desempenhar mais de uma função. “O Remor ganhou um problema muito bom, aquele que todo treinador quer ter”, brinca.

A montagem do grupo teve participação de diferentes pessoas ligadas ao clube, entre dirigentes e colaboradores. Cecon também destaca o trabalho realizado por Bebeto, Cassiano e pelo próprio elenco na busca por reforços.

A procura, aliás, foi além de contatos por telefone. O presidente conta que acompanhou diversos jogos da região durante a pré-temporada para observar possíveis contratações.

Casa fortalecida

Enquanto disputa o Regional, o Juventude também mantém vivo um projeto de crescimento fora das quatro linhas. Cecon admite que o clube segue com o objetivo de, no futuro, tornar-se profissional. “Podemos nos transformar em profissional. Gostaríamos de continuar com um outro time na Aslivata. É a cereja do bolo do Juventude”, afirma.

O presidente diz que o processo envolve custos e uma série de obstáculos, mas garante que o projeto segue em discussão. “Tem muita coisa em jogo para se tornar profissional. Temos reuniões e trabalhamos para transpor os obstáculos”, revela Cecon.

Por enquanto, a prioridade está no Regional e na tentativa de construir uma campanha sólida. A diretoria também tem o apoio do poder público de Guaporé para melhorar a estrutura do estádio, além do envolvimento de patrocinadores, sócios e da comunidade.

Para ele, o crescimento do Juventude passa diretamente pela participação dos torcedores. “O Juventude é movido pela paixão da torcida. Respiramos futebol e Guaporé vive isso todos os dias”, diz.

Ele faz questão de ressaltar que a caminhada está no começo, mas o discurso dentro do clube é de primeiro, alcançar uma das 16 vagas para a próxima fase. Depois, começa uma nova competição, em formato de mata-mata. “Todo time que entra, vai para ganhar. Se você não chegar ao objetivo, mas tiver o trabalho bem feito e o dever cumprido, terá uma sensação muito gratificante”, completa.

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