Encontro entre técnicos, especialistas e produtores do Vale do Taquari compartilhou conhecimento, troca de experiências e melhora nos resultados da pecuária leiteira em Teutônia. O Giro do Leite trouxe conhecimento internacional como busca por maior eficiência dentro da propriedade rural, passando pela combinação entre conhecimento técnico, gestão e capacidade de adaptação às novas tecnologias.
A realização do evento foi da Nutrepampa, ocorrida na quinta-feira (17/9), na Associação Pró-Desenvolvimento de Languiru (APDL). Realizado a cada 2 anos, o Giro do Leite percorre diferentes regiões para aproximar especialistas e produtores. Neste ano, a primeira edição ocorreu em Ijuí, no dia 15 de setembro, com público superior a 500 produtores. Depois de Teutônia, a iniciativa também contempla outras regiões do Sul do país.
De acordo com o gerente de Marketing e Comunicação da Nutrepampa, Lucas Souza, a proposta é levar ao produtor informações que possam ser aplicadas de acordo com as características de cada propriedade. “Cada propriedade tem o seu desafio. Não existe um desafio único” afirma.
A atividade leiteira enfrenta questões semelhantes em diferentes regiões, mas as soluções precisam considerar a realidade de cada produtor. Entre os pontos que ganham espaço no evento estão a necessidade de ampliar o conhecimento sobre nutrição animal, melhorar a gestão das propriedades e preparar as famílias para a continuidade da atividade.
Ponte entre Brasil e Europa
Um dos diferenciais desta edição foi a participação de especialistas internacionais. O Giro do Leite buscou estabelecer uma ponte entre experiências desenvolvidas na Europa e a realidade brasileira. Entre os convidados esteve Jinke Oosterhof, da Denkavit, da Holanda, que abordou práticas relacionadas à criação de bezerras utilizadas no país europeu.
A participação internacional permitiu discutir como diferentes sistemas de produção lidam com questões relacionadas à formação do rebanho desde os primeiros meses de vida. A ideia não foi reproduzir modelos estrangeiros, mas avaliar quais conhecimentos podem ser adaptados às condições encontradas nas propriedades brasileiras.
A programação contemplou temas diretamente relacionados ao desempenho dos animais. Entre eles estão qualidade de forragem, nutrição de vacas de alta produção e consumo de matéria seca. A médica-veterinária Júlia Dias, da Rehagro, conduziu uma das palestras sobre o assunto.
A abordagem mostrou que não basta formular uma dieta adequada se o animal não tiver condições de consumir e aproveitar os nutrientes. Manejo, qualidade dos alimentos e condições do ambiente estão entre os fatores que precisam ser considerados em conjunto.
“O que nós estamos fazendo é essa ponte Brasil e Europa, para mostrar o que está acontecendo lá e o que podemos contemplar aqui no Brasil”, resumiu Souza.
Outro eixo do encontro foi o uso de análises para melhorar as decisões nutricionais. A apresentação do Laboratório Nutrepampa/Rock River, conduzida por Vanderléia Bertoldo, tratou da avaliação dos alimentos utilizados nas propriedades e de como os dados podem auxiliar na identificação de problemas e na elaboração de estratégias mais precisas.
Contudo, a permanência das propriedades nas mãos das famílias também está relacionada à preparação das novas gerações, que vai além das tecnologias. A palestra de Taís Leivas, da Safras & Cifras, abordou sobre sucessão familiar, com questões como continuidade do negócio rural, organização da família e preparação dos sucessores para assumir responsabilidades na propriedade.
A discussão ampliou o olhar sobre a gestão do negócio leiteiro, pois além de produzir mais ou reduzir custos, o produtor toma decisões que envolvem patrimônio, organização financeira e planejamento de longo prazo.
Comunicação e desinformação
A afirmação de que o leite ‘inflama’ e faz mal é um mito sem qualquer amparo da ciência médica e nutricional. Esta foi a tônica na palestra da influenciadora do agronegócio e relações-públicas, Camila Telles, que atua ativamente na desmistificação de fake news que atacam a produção rural brasileira.

Camila Telles falou sobre as notícias falsas espalhadas por celebridades a cerca de supostos risco ao consumo do leite / Crédito: Anderson Lopes
O tema ganha espaço em um cenário em que informações sobre produção, alimentação e sustentabilidade circulam rapidamente pelas redes sociais. Para produtores e empresas, comunicar de maneira clara e responsável passa a fazer parte da relação do agronegócio com o público.

