Desafios de mobilidade seguem no Vale do Taquari

Passados 90 dias da enchente, algumas rodovias e estradas continuam com problemas.

Os moradores do Vale do Taquari enfrentam, dia a dia, novos desafios quanto à mobilidade nas rodovias e estradas que conectam municípios após a enchente de maio. Enquanto obras avançam, outras se estendem por tempo demais.

É o caso dos reparos na BR-386, na altura da ponte sobre o Arroio Boa Vista, em Estrela. Depois de mais de um mês tendo que enfrentar horas de engarrafamento numa das rodovias mais movimentadas e importantes do estado, os motoristas chegaram a imaginar que o pesadelo havia chegado ao fim. Há uma semana, no entanto, o trânsito voltou a ficar caótico, com novos afunilamentos de pista em ambos os sentidos da via.

A partir de hoje (14/8), a CCR ViaSul dá início ao trabalho de reforço das estacas das fundações da ponte. Isso porque foi identificada movimentação do talude. A estimativa da empresa é de que, até o início da próxima semana, seja possível prever um prazo para conclusão das ações, visto a necessidade da elaboração de novo projeto. Os trabalhos estão sujeitos às condições climáticas, o que aumenta a ansiedade dos que circulam todos os dias no local.

Enquanto isso, para quem faz o trajeto Lajeado – Arroio do Meio, são outros os desafios. A ponte da ERS-130, levada com as águas, não teve um prego firmado até o momento. O secretário de Infraestrutura e Transportes, Juvir Costella, prometeu a entrega da nova estrutura até dezembro, mas pelo andar da carruagem, corre-se o risco de o presente de Natal ser amargo.

A alternativa ponte de ferro, reconstruída e entregue em menos de um mês, tem sido a salvação para veículos leves. No entanto, é preciso atentar para as modificações na passagem, que ocorrem com frequência. No início desta semana, o Departamento Municipal de Trânsito de Lajeado informou uma nova disposição de tempo do semáforo instalado junto à ponte, com oito planos diferentes.

Todos os dias, da meia-noite até as 5h30, há 30 segundos de passagem para cada lado. De segunda a sexta-feira, a partir das 5h30, são 14 minutos de Lajeado para Arroio do Meio e 16 minutos no sentido inverso. Já a partir das 8h30, são 10 minutos para cada lado; a partir das 16h30, 16 minutos no sentido Lajeado – Arroio do Meio e 14 minutos no sentido contrário. Nas sextas-feiras, a partir das 16h, são 16 minutos para cada lado. Todos os dias, a partir das 20h até a meia-noite, são dois minutos em cada sentido. Já no fim de semana, são 10 minutos para cada lado a partir das 5h30 até as 21h, quando cada sentido passará a ter dois minutos de abertura.

Ponte do Exército

Reivindicada desde o fim da enchente, a ponte provisória do Exército, também ligando Lajeado a Arroio do Meio, foi inaugurada na quarta-feira (7/8), mas só pode ser liberada no domingo (11/8), após a finalização das obras no acesso à ponte por parte da Prefeitura de Lajeado. O trabalho de alargamento e adequações para o trânsito de veículos pesados (até 80 toneladas) segue na Rua Romeu Júlio Scherer, via que dá acesso à ponte. Ainda não está liberado o tráfego de caminhões bitrem e carretas. Porém, se estes veículos acessarem pelo sentido Arroio do Meio – Lajeado, eles não serão impedidos de trafegar no local.

ERS-129

A EGR liberou, no fim da semana passada, o trecho da ERS-129 entre Muçum e Vespasiano Correa, no quilômetro 88. A empresa garante que 75% das obras estão concluídas. Das 9h às 11h30, todos os dias, ocorrem detonações de rochas para a reconstrução do trecho que desmoronou. Conforme a EGR, somente um sentido da rodovia — de Encantado até Vespasiano Corrêa e demais municípios — pode passar pelo trecho recém-construído. No sentido contrário, deve-se utilizar o desvio provisório.

Enquanto isso, para quem trafega pelos sete quilômetros da rodovia entre Colinas e Roca Sales, os desafios só crescem, com sequências de veículos atolados e acidentes. Os moradores da região solicitam o asfaltamento deste trecho há décadas e, assim como na ERS-419, entre Teutônia e Poço das Antas, escutam um “em breve” do governo do Estado.

É compreensível que a situação causada pela catástrofe de maio é nova para todos, mas planos e projetos, especialmente de emergência, precisam começar a ser melhor estruturados para evitar milhões de reais perdidos em retrabalho. A demora entre a planificação, realização e conclusão das obras mostra, claramente, o despreparo não só da região, mas também do estado e do país, no que se refere a planos de contingência ou estudos qualificados em busca de criar alternativas viárias. O Vale do Taquari merece voltar aos eixos de forma sólida, competente e com visão de futuro.

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