Governo Federal esclarece dúvidas sobre compra assistida de casas de até R$ 200 mil

Burocracias, falta de imóveis disponíveis e dificuldades de comunicação são problemas que têm desanimado os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida Reconstrução, destinado a famílias afetadas pela enchente. A ação do Governo Federal foi criada para adquirir casas de até R$ 200 mil para famílias que tiveram as residências condenadas e têm renda de R$ 4 mil a R$ 4,7 mil. Em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Arroio do Meio já há moradores em casas novas, mas quem ainda está na lista de espera enfrenta frustração.

O cadastro das famílias é feito pelos municípios na Caixa Econômica Federal. Para ser contemplado, é necessário que a Administração Municipal comprove que a casa está inapta para moradia, com base em um laudo.

É o caso de Neorides da Silva, que morava no Bairro das Indústrias, em Estrela. A residência foi condenada após a enchente, e a família hoje reside de aluguel no Loteamento Nova Morada. A tentativa de adquirir uma nova casa por meio do programa de compra assistida tem sido exaustiva.

A família iniciou o processo de compra, que estava dentro das normas do programa. “Quando fizemos o pedido, o imóvel não precisava estar quitado, mas, durante o processo, uma mudança passou a exigir que o imóvel estivesse 100% quitado para ser adquirido. O apartamento que encontramos tem um saldo devedor de cerca de R$ 80 mil, e a proprietária não tem como quitar esse valor”, conta. Ela destaca outra complicação no processo: o prazo de 60 dias para encontrar um imóvel. “Não há imóveis disponíveis dentro do valor estipulado pelo programa”, afirma.

NAS IMOBILIÁRIAS

As imobiliárias também parecem estar confusas sobre o andamento do programa. Joseane Wagner, corretora de imóveis, tem enfrentado desafios com a burocracia. Segundo ela, a prefeitura orientou os moradores a procurarem as imobiliárias locais para receber ajuda na aquisição de imóveis que se enquadrassem no programa.

“Durante todo esse tempo, vivemos uma troca de informações imprecisas. Parece que a comunicação não é clara. Você lê o edital, tem dúvidas, pede auxílio à prefeitura e não recebe. Na Caixa Econômica Federal, também não encontramos esse auxílio. Está tudo muito confuso para nós”, afirma. A corretora também aponta a falta de imóveis disponíveis na faixa de preço estipulada, especialmente em cidades menores como Estrela. Por meio do programa, o morador pode escolher um imóvel em qualquer município do Rio Grande do Sul.

RESPOSTA DO GOVERNO

De acordo com o secretário da Reconstrução do RS, Maneco Hassen, nunca houve a possibilidade de compra de casas com saldo devedor. “A informação desde o início é que a casa precisa estar com toda a documentação em dia”, esclarece. Para resolver problemas de comunicação, a Caixa Econômica Federal e o Governo Federal organizam reuniões com os moradores. Encontros já foram realizados em Arroio do Meio e Cruzeiro do Sul, e outros devem ocorrer em outros municípios afetados.

Hassen afirma que, a partir de dezembro, a expectativa é entregar novas residências toda semana. “O processo, obviamente, tem uma burocracia que não poderia ser diferente. Se qualquer um de nós for hoje à Caixa Econômica Federal financiar um imóvel, vamos levar pelo menos 60 dias para finalizar toda a documentação até receber as chaves. Imagina em um programa novo, que envolve milhares de famílias em todo estado. Ele está demorando mais do que deveria, considerando a urgência que o momento exige. Mas o programa está em andamento, e agora, toda semana, vamos entregar casas, seja no Vale do Taquari ou nos outros municípios afetados”, afirma.

EM ANDAMENTO

Já são mais de 500 imóveis em todo o estado com a documentação encaminhada por meio do processo de compra assistida. Segundo Hassen, a meta até o fim do ano é chegar perto de mil imóveis e autorizar também o início da construção de quase 3 mil unidades em todo o estado. Para 2025, a expectativa é superar 25 mil imóveis nos municípios afetados pelas enchentes, beneficiando as famílias que perderam suas casas.

Passo a passo do processo

1. Engenheiro do município faz o laudo que comprova a condenação da casa atingida pela enchente;

2. Se a família tiver renda entre R$ 4 mil e R$ 4,7 mil, a Administração Municipal faz o cadastro na lista da Caixa Econômica Federal;

3. Assim que o nome do beneficiado for divulgado na lista da Caixa, ele tem 60 dias para encontrar um imóvel de até R$ 200 mil em qualquer município do RS, desde que esteja com a documentação em dia;

4. O processo de compra funciona como os demais processos do Minha Casa, Minha Vida.

Mais Notícias

Tópicos Relacionados:

Publicações do Autor

Narcisismo e relacionamento tóxico: quais são os sinais e como se livrar

Falta de empatia, isolamento, manipulação emocional. As consequências de um relacionamento tóxico podem ser percebidas por muitos, mas as causas nem sempre são compreendidas....

Polícia Militar reforça segurança para o Carnaval

Os Batalhões de Polícia Militar (BPM) da região intensificam as ações de segurança para o Carnaval, garantindo que os eventos ocorram de forma pacífica...

Sebrae oferece assessoria de negócios personalizada para impulsionar empresas na região

O Sebrae está oferecendo assessoria de negócios com planos de ação personalizados para empresas da região do Vale do Taquari e Rio Pardo. Diego...

HOB apresenta projeto de UTI para prefeitos do G8

A segunda reunião do ano do grupo formado por prefeitos da microrregião ocorreu na manhã de hoje (25/2), no auditório da Prefeitura de Paverama....