A Cooperativa Dália Alimentos deu início a um novo movimento estratégico com a realização da 1ª edição do Dália +100, promovida na quinta-feira (8/7), no Auditório do Sicredi Região dos Vales, em Encantado. O evento reuniu cerca de 400 participantes, entre lideranças, especialistas, associados e produtores rurais, para discutir os desafios, as oportunidades e as perspectivas da pecuária leiteira, segmento que reúne o maior número de cooperados da instituição.
Com uma programação voltada à inovação, gestão e desenvolvimento do setor, o encontro contou com palestras, debates e momentos de reconhecimento aos produtores, além de marcar o lançamento de iniciativas que buscam projetar o futuro da cooperativa. A proposta é que o Dália +100 tenha novas edições voltadas aos demais segmentos de atuação da entidade.
O presidente do Conselho de Administração da Dália, Gilberto Antônio Piccinini, destacou que o projeto nasceu com o propósito de fortalecer a cadeia produtiva por meio da troca de conhecimento e da construção coletiva de soluções. “Inspirado no legado dos sócios fundadores e na trajetória construída ao longo de 79 anos, o projeto amplia a visão de longo prazo da cooperativa e promove debates estratégicos para o desenvolvimento sustentável da atividade leiteira.”
Piccinini também chamou atenção para o cenário enfrentado pelo Rio Grande do Sul, que tem perdido espaço na produção nacional de leite em razão da diminuição do número de produtores. “Precisamos transformar conhecimento e experiências em soluções capazes de garantir o futuro da atividade”, afirmou.
Durante o encontro, o presidente executivo da cooperativa, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, ressaltou que o Dália +100 representa um compromisso com as próximas gerações. “Ao projetarmos os próximos cem anos, entendemos que a pecuária leiteira, por reunir o maior número de associados, deveria iniciar esse movimento. O Dália +100 é mais do que um evento: é um legado.”
Entre os principais resultados da primeira edição está a elaboração da Carta de Encantado, documento que reunirá as propostas, desafios e oportunidades debatidos ao longo da programação. O material será encaminhado a autoridades, lideranças políticas, entidades representativas e candidatos ao Governo do Estado. Outro momento simbólico foi o lançamento de uma cápsula do tempo, que será aberta em 2126, além de outras cápsulas previstas para serem abertas a cada dez anos.
O evento também homenageou produtores e técnicos pelos resultados obtidos na atividade leiteira. Como reconhecimento, os participantes selecionados irão representar a cooperativa na Agroleite, uma das principais feiras de tecnologia da cadeia leiteira da América Latina, realizada em Castro, no Paraná.
Foram reconhecidos os associados com maior tempo de participação ininterrupta no Programa Vale dos Lácteos, com controle leiteiro oficial, além das propriedades que apresentaram os melhores índices de Contagem Padrão em Placas (CPP) e Contagem de Células Somáticas (CCS) ao longo de 2025.
A programação técnica abordou temas considerados fundamentais para a sustentabilidade da atividade. O engenheiro-agrônomo Wagner Beskow apresentou fatores que influenciam diretamente a eficiência da produção, como nutrição, qualidade do volumoso, conforto e bem-estar animal, consumo de água e indicadores produtivos.
Na sequência, o sócio-fundador da Safras & Cifras, Cilotér Borges Iribarrem, destacou a importância da sucessão familiar nas propriedades rurais, defendendo que esse processo deve começar pelo diálogo, pelo fortalecimento do sentimento de pertencimento e pela profissionalização da gestão.
As perspectivas para o mercado de lácteos também estiveram em pauta. Marcelo Pereira de Carvalho, sócio-fundador da MilkPoint Ventures, apontou um cenário positivo para o setor, impulsionado pela valorização de produtos com maior valor agregado. Encerrando a programação, Diego Langwinski reforçou a necessidade de que o produtor administre sua propriedade com visão empresarial, tratando a atividade rural como um empreendimento.

