Operação Aurora mira organização criminosa que vendia Cytotec e orientava abortos pela internet em oito estados brasileiros

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública por meio do Projeto Impulse, desencadeou na manhã desta segunda-feira (8/12) a Operação Aurora, uma ofensiva contra uma organização criminosa interestadual especializada no comércio ilegal de misoprostol — medicamento de uso restrito, conhecido pelo nome comercial Cytotec, utilizado clandestinamente para abortos.

A operação foi executada simultaneamente em diferentes regiões do país, com apoio das Polícias Civis estaduais, abrangendo João Pessoa (PB), Goiânia e Valparaíso (GO), Nova Iguaçu (RJ), Aracruz (ES), Irecê e Itaguaçu (BA), Santos Dumont (MG) e o Distrito Federal. Até o momento, três pessoas foram presas e houve apreensão de drogas e celulares.

Origem da investigação

As investigações começaram em abril de 2025, quando a Delegacia de Polícia de Guaíba apurou um caso de aborto provocado por misoprostol adquirido pela internet. A mulher envolvida relatou ter sido orientada durante o procedimento por uma suposta “doutora” via aplicativo de mensagens, mas buscou ajuda médica após ser negligenciada durante fortes dores. No hospital, expeliu dois fetos.

A partir desse caso, a polícia identificou um esquema articulado que atuava em vários estados e mantinha grupos de mensagens onde apenas os administradores podiam vender misoprostol, além de fornecer orientações às usuárias sobre como realizar o aborto. Um desses grupos tinha mais de 250 mulheres.

Estrutura do grupo

Segundo a Delegada Karoline Calegari, responsável pela investigação, o grupo estruturava a venda do medicamento — cuja comercialização é proibida — e oferecia suporte remoto às usuárias. O esquema incluía regras internas, tabela de preços e instruções sobre quantidade de comprimidos conforme o tempo gestacional.

A polícia agora busca identificar a origem dos medicamentos desviados, já que o misoprostol só pode ser utilizado em hospitais, sob supervisão médica.

Primeira fase da operação

A Operação Aurora tem como foco identificar a participação dos envolvidos, mapear a dinâmica do grupo e rastrear o fluxo ilegal dos medicamentos. Segundo a polícia, o lucro obtido pelo esquema pode ser expressivo, dado o número de mulheres atendidas e o alcance nacional dos criminosos.

A ação integra o Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas do Ministério da Justiça e reforça o compromisso das Polícias Civis em combater o tráfico de medicamentos controlados, proteger a integridade física das mulheres e preservar a vida.

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