Com o custo alto, comprar móveis e eletrodomésticos se torna difícil para pessoas que procuram economia. Em busca de uma solução para casais que pretendem morar juntos ou até pessoas com baixo orçamento, mulheres empreendem no ramo de utensílios domésticos.
A história de Celci Arendt começou com medo, espaço pequeno e muitos sonhos. Do interior, ela veio para Teutônia aos 13 anos. Trabalhou como empregada doméstica por 9 anos, passou por lojas de moda e pela Cooperativa Certel, onde começou como vendedora e foi promovida a gerente, cargo que ocupou por 3 anos até se aposentar, em 2014.
Em busca de autonomia e crescimento que não encontrava mais como funcionária, percebeu que em Teutônia não havia um local para as pessoas venderem móveis usados. Ela notou duas situações: pessoas que queriam trocar o sofá, mas não tinham onde descartar o antigo, e casais jovens que não conseguiam mobiliar a casa nova devido ao crédito limitado.
O negócio começou em uma sala pequena para atendimentos noturnos, mas a demanda foi muito maior que a esperada. Ela se mudou para um prédio maior pertencente à família do marido. Hoje, seu negócio está localizado no Bairro Languiru.
O Brick da Celci já soma 11 anos de sucesso no mercado, com linhas novas e seminovas. O empreendimento conta com uma curadoria, feita por Clóvis, funcionário que a acompanha desde o começo. Ele transforma itens que pareciam “descartáveis” em peças que parecem novas, agregando valor aos produtos.
Celci conta que seu crescimento ocorreu de forma orgânica. Ela fez a identificação do local, com placa, há menos de 2 anos. Antes disso, o sucesso do brique foi construído inteiramente através do atendimento de qualidade, por meio da propaganda “boca a boca”.
Oportunidade nas redes sociais
Também observando os descartes em boa qualidade que iam para o lixo, mesmo em condições de reparo e venda posterior, foi que Karina Bizarro de Vargas começou o Teutobrick há cerca de 4 anos.
Ela deu início ao empreendimento após uma mudança significativa em sua rotina profissional e familiar. Antes da pandemia, atuava em casa como consultora financeira. Com o fim do isolamento, passou a enfrentar dificuldades para conciliar a rotina no escritório com os cuidados das filhas Gabi (10) e Manu (14).
A transição para o comércio surgiu de forma natural. Como sempre teve afinidade com vendas, começou a anunciar diversos itens de pessoas próximas nas redes sociais. A resposta do público foi positiva e, ao perceber a alta demanda por produtos usados em bom estado, em 2022, decidiu dedicar-se exclusivamente ao empreendimento.
O negócio teve início no Bairro Canabarro e, há cerca de 3 anos, está localizado no Bairro Languiru. A escolha do ponto foi estratégica, permitindo que Karina permanecesse próxima da escola das filhas e de sua residência.
Atualmente, cerca de 80% das vendas são realizadas pelas redes sociais. Karina administra o negócio sozinha, com a ajuda eventual das filhas e com o apoio de um prestador de serviço freelancer, contratado uma ou duas vezes por semana para auxiliar na reforma e curadoria dos móveis.
No início das atividades, o atendimento ocorria todos os domingos. Hoje, passou a ser realizado apenas em alguns dias, mediante agendamento.
Descarte em Teutônia
Em Teutônia, a destinação de resíduos volumosos, como móveis, é realizada de forma terceirizada por meio da empresa B&M, em parceria com o PapaPoda. O serviço começa com a coleta dos materiais descartados pela população, feita em pontos específicos da cidade ou por meio de agendamento. Após o recolhimento, os itens são levados até uma central de triagem, onde passam por um processo detalhado de separação.
Nesse local, equipes especializadas classificam os resíduos de acordo com sua composição, como madeira, metais, vidro, espuma e tecidos. Mesmo quando chegam danificados ou misturados, os materiais são cuidadosamente separados para possibilitar o encaminhamento correto.
Cada tipo de resíduo é então destinado a empresas licenciadas, que possuem autorização ambiental para realizar o tratamento adequado, seja por reciclagem, reaproveitamento, trituração, incineração ou disposição final controlada.
Todo o processo segue normas ambientais, com emissão de documentação específica, como o Manifesto de Transporte de Resíduos (MTR), garantindo a rastreabilidade desde a coleta até o destino final.
A operação envolve custos, já que as empresas receptoras cobram pelo recebimento e processamento dos materiais, geralmente com base no peso. Além disso, a própria empresa responsável pelo serviço também realiza o pagamento a prestadores e parceiros que recebem esses resíduos e buscam dar uma destinação mais adequada, seja por meio do reaproveitamento ou de outras formas de valorização dos materiais.
Dessa forma, o sistema busca assegurar que os resíduos tenham um destino ambientalmente correto, evitando o descarte irregular e contribuindo para a sustentabilidade no município.

