Sicredi Ouro Branco debate diversificação de culturas, sucessão familiar, clima e profissionalização do setor

Evento técnico com associados e empresas parceiras reuniu 900 pessoas no sábado em Linha Wink

A Sicredi Ouro Branco RS/MG realizou a primeira edição do Expo Fórum Agro no sábado (13/6). O evento integra a programação dos 45 anos da cooperativa e foi realizado em Linha Wink, Estrela. Cerca de 900 associados, lideranças e profissionais do agronegócio puderam aprender e realizar negócios a partir da exposição de produtos e soluções de empresas associadas e agroindústrias familiares.

Foram promovidas as palestras “Diversificação de culturas e sucessão familiar”, com o produtor rural e especialista em Horticultura, Cleber Renato Zortea, e “Cenários climáticos”, com o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos. A apresentação ficou a cargo do influenciador Léo Brizola. Conforme o presidente da Sicredi Ouro Branco, Neori Ernani Abel, o conselho, coordenadores de núcleo e associados colaboraram com a definição do tema das palestras.

Zortea enfatizou que o amor pela terra é a base de tudo e que é preciso analisar os desafios enfrentados “dentro e fora da porteira”. Segundo ele, o sucesso não depende apenas de produzir, mas de entender fatores externos, como preços competitivos e o comportamento do mercado.

O especialista alertou que a falta de diversificação pode empobrecer um município, pois se tudo o que é consumido vem de fora, o dinheiro não circula localmente. Nesse sentido, citou a importância das entidades e associações de produtores se unirem para planejar como baratear custos, complementar a produção com outras culturas e promover cursos e treinamentos para aperfeiçoar o trabalho. Destacou o papel de entidades como o Sebrae, o Senar e as cooperativas de crédito no apoio ao produtor.

Dentro da propriedade, a atenção aos detalhes técnicos é o que define a produtividade e dominar o processo é essencial. Ele lembrou que, apesar das crises, o Brasil possui uma vantagem competitiva geracional. “A agricultura mais jovem do mundo é a brasileira. Nós somos 10 anos mais novos que os americanos, 20 anos mais novos que os europeus”, detalhou. Para ele, o principal diferencial do Brasil é que, enquanto os demais países plantam por necessidade de soberania alimentar, o brasileiro planta por amor.

Nesse sentido, destacou a importância de lutar para eleger políticos que busquem reformular as leis que não condizem com a realidade do campo e representam um obstáculo, tanto para a formação dos jovens quanto para a atividade dos produtores mais experientes.

“Onde plantamos, cresce. Temos sol, chuva e não perdemos em tecnologia”, ressaltou. No entanto, o que falta são leis que ajudem em vez de pensar só em fatores arrecadatórios.

Sucessão

Zortea defende que o processo começa muito antes da transferência formal da gestão. Envolve conhecimentos agropecuários e valores, questões emocionais, valores, planejamento antecipado, organização, aptidão, competências e formação.

Ele pontuou que os filhos absorvem o que veem e ouvem desde cedo. Alertou para reclamações constantes sobre a vida difícil no campo, que podem afastar os jovens, e ressaltou que dar responsabilidades às crianças desde cedo gera afeto pela atividade.

O conflito de gerações também foi um ponto central. Enquanto os pais buscam segurança, os filhos trazem o desejo de inovação e tecnologia, o que pode gerar atritos se não houver comunicação. Zortea sugere que o planejamento deve ser colocado no papel para facilitar a gestão e a transição.

Ainda, falou da importância de separar os momentos de descanso dos de discussão sobre os negócios. “Tem que haver um momento para a família discutir sobre os negócios. Mas esse momento não é o almoço. E praticar isso exige uma disciplina muito grande”, enfatizou.

Por fim, Zortea reforçou que a formação acadêmica deve ser vista como um complemento ao que já existe em casa, e incentivou os jovens a valorizarem o patrimônio e a oportunidade que possuem em suas próprias famílias. “Se vocês têm propriedade, já vão se formar com um negócio na mão, com uma vantagem competitiva”, concluiu ele.

Cenário climático

Marco Antônio dos Santos iniciou sua fala com uma comparação sobre o agro do passado e o do presente. Segundo ele, o agro ultrapassado decide com base no passado, observa apenas a sua propriedade, reage quando o problema aparece e, por isso, assume mais riscos. Já o novo agro monitora, trabalha com dados, antecipa riscos e toma decisões antes do problema surgir.

Apontou que, no cenário atual, o produtor não pode mais agir apenas por instinto. Citou que o cenário climático para as próximas safras exige atenção redobrada e profissionalismo dos produtores rurais.

O meteorologista afirmou que o El Niño já está confirmado e deve durar até o verão de 2027. “Sim, será forte, mas para repetir o que houve em 2023 e 2024 é preciso uma junção muito grande de fatores”, disse. Ele considera essa ocorrência improvável.

Santos esclareceu que a principal preocupação para quem está no campo, além do excesso hídrico, são as altas temperaturas para o período. “O inverno não vai ser tão rigoroso quanto em 2025, por isso, é preciso cuidar o conforto térmico dos animais e os problemas nas lavouras”, alertou.

O meteorologista ainda enfatizou que a janela de plantio será determinante para o sucesso da safra. Destacou que o produtor precisa ser ágil e estratégico, pois haverá poucas oportunidades de plantio. “Acredito que em agosto e setembro teremos condições plenas, porque vai haver sol com bastante umidade”, citou o especialista.

A cooperativa realizará o mesmo evento no dia 27 de junho, no Parque Centenário, em Montenegro, como forma de englobar o Vale do Caí.

Agro: mola propulsora da cooperativa

A Sicredi Ouro Branco é a maior financiadora do agronegócio em sua área de atuação no estado, com um destaque especial para a agricultura familiar e os pequenos produtores.

Dos 127.329 associados, 9.178 são do agro (7%). Destes, 90% são agricultores familiares, 9% médios produtores e 1% grande produtores. Apesar de representar apenas 7% dos clientes, o setor representa 34% do total da carteira de crédito da cooperativa.

Para a safra 2026/2027, a Sicredi Ouro Branco disponibiliza R$ 647 milhões, 34% a mais em relação ao mesmo período da safra atual.

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