Bom Retiro do Sul vive um movimento voltado à valorização de seu patrimônio histórico com o objetivo de transformar o centro antigo da cidade em um novo polo de turismo, cultura e desenvolvimento econômico. A iniciativa, liderada pelo advogado e empreendedor Mauro Luciano Hauschild em parceria com o poder público, busca recuperar casarões históricos, revitalizar espaços públicos e estimular novos investimentos privados, conectando o município aos principais roteiros turísticos do Vale do Taquari e do Rio Grande do Sul.
De acordo com Hauschild, a proposta nasceu da convicção de que Bom Retiro do Sul possui um patrimônio material e imaterial capaz de impulsionar uma nova fase de desenvolvimento. “Entendi que era o momento de mobilizar as pessoas e aproveitar esse patrimônio material e imaterial que estava abandonado, inclusive sendo depredado pelas enchentes. A ideia é resgatar essas estruturas e transformá-las em potenciais turísticos, recuperando os prédios e colocando-os à disposição da comunidade, da região, do Estado e do país como um centro de atração turística, gerando desenvolvimento econômico e social”, afirma.
Um levantamento realizado pela equipe do projeto identificou 52 casarões e edificações com potencial para preservação histórica em Bom Retiro do Sul. Paralelamente, a Universidade do Vale do Taquari (Univates), em conjunto com o Grupo Resgate, também realiza um mapeamento semelhante, que poderá subsidiar futuros processos de tombamento patrimonial. Atualmente, o município ainda não possui imóveis oficialmente tombados, embora existam ações judiciais impedindo a demolição de algumas construções consideradas históricas.
Patrimônio histórico em recuperação
O foco inicial das intervenções concentra-se no entorno da Escadaria da Corsan, do Largo dos Emancipacionistas e da barragem da eclusa, considerados dois dos principais cartões-postais da cidade. Neste espaço estão sendo recuperados quatro imóveis diretamente ligados ao projeto, entre eles o antigo cartório, o prédio que sediou a Câmara de Vereadores, um casarão que permaneceu abandonado após um incêndio ocorrido há mais de uma década e outro imóvel adquirido recentemente para restauração.
Além dessas obras, outras edificações históricas já restauradas por proprietários particulares passam a compor o conjunto arquitetônico da região central. Somadas ao Memorial do Município, instalado na antiga prefeitura, e a outros imóveis revitalizados, a expectativa é formar um núcleo histórico com cerca de dez a doze construções recuperadas.
Hauschild destaca que a iniciativa se fortalece com investimentos públicos já anunciados pela administração municipal, entre eles a revitalização da Escadaria da Corsan e a reconstrução da marina, localizada em frente à prefeitura. O espaço contará com mirante para o rio e deverá integrar o circuito turístico da cidade. “Os investimentos públicos, aliados aos privados e aos casarões já restaurados pelos moradores, vão trazer para a cidade um espaço muito rico, bonito e valorizado. A proposta é recuperar não apenas os prédios, mas também devolver vida a essa região, com cafés, bistrôs, restaurantes, choperias e outros serviços que atraiam moradores e visitantes”, destaca.
Outro patrimônio que deverá integrar o projeto é a Igreja Matriz, cuja área externa poderá passar por revitalização após sinalização positiva da Diocese. Para Hauschild, a integração entre patrimônio público, privado e religioso contribuirá para criar um conjunto urbano capaz de atrair turistas e fortalecer a identidade histórica do município.
Turismo regional e novos investimentos
A proposta também contempla a valorização da antiga área portuária de Bom Retiro do Sul, responsável durante décadas pelo escoamento da produção agrícola da região antes da consolidação do porto de Estrela. Segundo Hauschild, antigos engenhos e outras estruturas históricas ainda existentes poderão futuramente ser recuperados por investidores privados.
Dentro dessa estratégia, está prevista a produção de imagens do percurso fluvial entre Estrela e Bom Retiro do Sul para divulgar o potencial turístico da navegação no Rio Taquari. A ideia é integrar diferentes modais e atrativos da região, aproximando iniciativas como o Trem dos Vales, o turismo náutico e os roteiros históricos existentes em municípios vizinhos.
“O turismo precisa ser pensado de forma regional. Não faz sentido olhar apenas para Bom Retiro, Estrela ou Teutônia isoladamente. O grande desafio hoje é fazer com que o visitante permaneça mais tempo na região, utilize hotéis, restaurantes, cafeterias, conheça nossos produtos e movimente a economia local”, ressalta.
O projeto também está diretamente ligado à Rota dos Açores, roteiro turístico que reúne municípios com forte influência da colonização açoriana. Hauschild afirma que diversos prefeitos e gestores públicos passaram a investir na recuperação de patrimônios históricos e no fortalecimento de atrativos culturais após a criação da iniciativa.
Além das grandes obras, o projeto incentiva proprietários de imóveis históricos a realizarem pequenas intervenções em suas fachadas. Para isso, foram elaboradas propostas arquitetônicas inspiradas na arquitetura açoriana, utilizando referências obtidas por Hauschild durante viagens a Portugal, incluindo um livro adquirido na Feira do Livro de Lisboa sobre arquitetura tradicional dos Açores.
“A proposta não exige investimentos milionários. Muitas vezes uma pintura, a recuperação de uma fachada ou de um muro já faz diferença. O importante é valorizar os imóveis e criar um ambiente que desperte interesse tanto da comunidade quanto de futuros investidores”, afirma.
Questionado sobre a motivação para liderar a iniciativa, Hauschild afirma que o projeto reúne compromisso com a cidade e visão de desenvolvimento econômico. Segundo ele, embora os investimentos também tenham retorno financeiro, o principal objetivo é contribuir para transformar Bom Retiro do Sul em um destino mais atrativo.
“Eu devo tudo o que conquistei a Bom Retiro do Sul. Foi aqui que cresci, estudei e construí minha vida. Recuperar esse patrimônio também é um investimento e não há hipocrisia em dizer que ele pode gerar retorno econômico. Mas, acima de tudo, acredito que a cidade merece ser bonita, acolhedora e oferecer oportunidades para seus moradores e visitantes”, afirma.
Hauschild também fez questão de afastar qualquer interpretação de que o trabalho tenha objetivos eleitorais. “Hoje não tenho nenhuma pretensão de candidatura política. O que me move é o carinho pela cidade e a vontade de ver Bom Retiro do Sul crescer, atrair investimentos, gerar empregos e oferecer orgulho para quem vive aqui”, destaca.
Segundo ele, os projetos atualmente em andamento representam apenas o início de um plano mais amplo de desenvolvimento turístico, que terá novos detalhes apresentados durante o lançamento do projeto “Memória, Cultura e Futuro – O Patrimônio que Inspira o Desenvolvimento”, marcado para o próximo dia 18.
“Acredito que, daqui a alguns anos, poderemos olhar para trás e perceber que foi nesse momento que começamos a construir uma nova realidade para Bom Retiro do Sul. Queremos colocar o município definitivamente no calendário do turismo do Rio Grande do Sul”, conclui.

