A importância de conversar com a família sobre a intenção de ser doador de órgãos foi o principal alerta da Caminhada Pela Vida. O evento em prol da Doação de Órgãos foi realizada na manhã de sábado (26/9), em Lajeado. Promovida pela Câmara de Vereadores, a atividade integrou a programação do Setembro Verde, com saída da Casa de Cultura, com chegada no Posto Faleiro.
Presidente do Legislativo, Néco Santos destacou que a mobilização busca romper o silêncio em torno do tema. Segundo ele, não é necessário registrar a vontade em um documento específico, mas é fundamental que os familiares saibam da decisão. “A gente precisa quebrar esse tabu, que as pessoas conversem em casa com a família que são doadoras de órgãos”, afirmou.
Néco lembra que a iniciativa surgiu há alguns anos, a partir de uma experiência envolvendo um colega vereador e o transporte de um coração para transplante. Desde então, a Câmara passou a promover ações de conscientização sobre o assunto. “Doar não vai salvar só uma vida, pode salvar várias”, ressaltou.
Prefeita de Lajeado, Gláucia Schumacher destacou que a campanha precisa envolver diferentes setores da comunidade. Para ela, a conscientização sobre a doação precisa ser retomada constantemente, inclusive dentro das famílias. “É um movimento não só da Câmara, da Prefeitura, mas de toda a sociedade”, afirmou.
Inspiração ao movimento
Entre os participantes da caminhada estava o vereador Lourival Silveira. A presença dele acrescentou um componente pessoal à mobilização: Lourival recebeu um coração transplantado e atribui à decisão de uma família a oportunidade de continuar vivendo.
Ele afirma que já se passaram 7 anos e 5 meses desde o transplante e que participar de atividades de conscientização faz parte da forma como procura retribuir a oportunidade recebida. “É muito importante as pessoas virem sim para doação, comentarem com as suas famílias o desejo e, na hora de decidir, se for porventura que tiver uma situação, a comunidade participar”, afirma.
Lourival também chama atenção para a possibilidade de a doação representar não apenas a continuidade da vida de quem recebe o órgão, mas uma mudança na qualidade de vida. “A gente tende a conversar sobre a doação de órgão, onde vai salvar vidas, onde vai dar qualidade de vida para outras pessoas. E a gente pode continuar vivendo como eu estou vivendo hoje”, relata.
Decisão familiar
Para o médico Lucas Mallmann, do Hospital Bruno Born e integrante da Organização de Procura de Órgãos (OPO), o diálogo familiar pode ser decisivo quando surge uma possibilidade de doação. “Se queremos fazer esse bem é muito importante conversar com a nossa família para que no momento em que quem a gente ama precise decidir, saiba da nossa vontade e possa levar adiante esse ato de generosidade”, explicou.
A atividade integra uma mobilização que ocorre durante o Setembro Verde, período dedicado à conscientização sobre a doação de Em Lajeado, a Câmara promove a caminhada como parte das ações de sensibilização da comunidade sobre o tema.
O Hospital Bruno Born mantém uma Organização de Procura de Órgãos, que atua em conjunto com as equipes hospitalares e com a Central de Transplantes nas diferentes etapas do processo de doação. A instituição também realizou, na sexta-feira (25/9), o 2o Simpósio de Doação de Órgãos, com programação voltada à capacitação de profissionais e à conscientização sobre o tema.

