Endividamento faz quase metade dos universitários trancar o curso

Dados da Serasa mostram que dificuldades financeiras comprometem a continuidade dos estudos no Brasil

A crise financeira tem impactado diretamente a permanência de universitários no ensino superior no Brasil. Dados recentes da Serasa indicam que 66% dos estudantes endividados já precisaram cortar gastos básicos, como alimentação e transporte, para conseguir arcar com a mensalidade do curso. Mesmo assim, quase metade acaba não conseguindo se manter na universidade.

O levantamento aponta que 48% dos universitários endividados trancaram o curso por não conseguirem pagar as mensalidades em dia, um cenário que evidencia dificuldades que vão além de situações pontuais. Para o especialista em operações financeiras da Serasa, Giovane Inocente, o problema reflete uma crise estrutural. Segundo ele, o ensino superior deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência no mercado de trabalho. “A universidade hoje não é mais algo extraordinário no currículo. Ela se tornou um item básico para o brasileiro”, afirma.

O início do ano é apontado como um dos períodos mais críticos para os estudantes, devido à concentração de despesas como rematrículas, materiais escolares e contas acumuladas. Esse contexto agrava o endividamento e aumenta o número de negativações. “São muitas contas no começo do ano, e esse impacto faz com que muitos estudantes abdiquem de itens básicos para arcar com os custos. Mesmo assim, muitas vezes não conseguem”, explica Giovani.

A maior parte dos universitários negativados, conforme a pesquisa, arca sozinha com 100% do valor da mensalidade, sem apoio financeiro da família. O desemprego e a instabilidade entre um trabalho e outro aparecem como os principais fatores para a inadimplência. “Muitas vezes o problema não é ficar desempregado, mas o intervalo entre empregos e a falta de planejamento”, destaca o especialista, ressaltando que a ausência de uma reserva de emergência agrava ainda mais o cenário.

Atualmente, cerca de 2,8 milhões de universitários possuem débitos que podem ser renegociados com instituições de ensino por meio da plataforma Serasa Limpa Nome, que reúne parcerias com 78 universidades e empresas do setor educacional. A negociação pode ser feita de forma digital ou presencial, permitindo que estudantes regularizem a situação e, em alguns casos, consigam retomar os estudos.

Apesar das iniciativas, a projeção é preocupante. “Infelizmente, quanto maior a negativação, maior a evasão”, alerta Giovani. Sem mudanças significativas no cenário econômico e sem maior acesso à educação financeira, o risco é que um número crescente de jovens não consiga concluir o ensino superior, comprometendo não apenas trajetórias individuais, mas também o desenvolvimento social e profissional do país.

Assista à entrevista completa:

https://www.youtube.com/live/cHKVZaCa4no?si=EvbIiJbL1hmHtMom

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