A paixão de Rose Habel por transformar ambientes

Por vezes, o destino profissional parece estar traçado no DNA familiar, mesmo quando tentamos seguir outros caminhos. Para Roseclese Habel, conhecida como Rose, a costura estava no sangue: avó, mãe e tia eram costureiras. Mas a sua vontade inicial estava distante das agulhas e linhas. Hoje, prestes a completar 2 anos à frente da Rose Cortinas e Persianas, ela é um exemplo de como a paixão pelo ofício pode ser construída e transformada em um negócio próspero, focado na qualidade e no atendimento humanizado.

A trajetória de Rose no mundo dos tecidos começou por volta de 2010, na antiga Coqueiro Bordados, empresa que ocupava o mesmo ponto comercial onde hoje está a sua loja. “Comecei lá sem saber colocar uma linha na agulha”, relembra a empreendedora. Ela aprendeu o ofício do zero e hoje soma quase 15 anos de experiência na área. Há 2 anos, a transição de funcionária para proprietária foi impulsionada pelo sonho de ter o próprio negócio e pelo incentivo de familiares e amigos, apesar do medo natural de trocar a estabilidade pelo risco de empreender.

O desafio da gestão e a busca por conhecimento

Como muitas mulheres que decidem empreender, Rose deparou-se com a dura realidade de que dominar a técnica não é suficiente. “Eu sempre falava que sabia sentar e costurar. Agora, administrar é uma coisa muito diferente, complicada”, admite. O medo da gestão financeira, das entradas e saídas foi um dos maiores obstáculos iniciais. Para superar essas barreiras, Rose apostou na humildade de pedir ajuda e na divisão de tarefas.

O planejamento do marketing e a execução, como a gravação de vídeos e uma exposição que a deixava desconfortável no início, foi delegado a profissionais parceiros, permitindo que ela focasse no que faz de melhor: a produção e o atendimento. “Vendas hoje são mais on-line, então tu tem que aparecer, as pessoas têm que te conhecer”, admite a empresária. Ela se adaptou às novas exigências do mercado digital e reconheceu o estímulo de outra mulher que a ajudou a encarar o medo das câmeras para apresentar à comunidade os valores que movem seu negócio.

Atendimento que vai até a casa do cliente

O diferencial da Rose Cortinas e Persianas reside na personalização. Embora as vendas on-line sejam uma tendência, Rose valoriza o contato pessoal, muitas vezes indo até a casa do cliente para entender a necessidade real do ambiente. “Cada casa e ambiente é uma questão, e cada pessoa, também”, explica.

Esse olhar técnico é fundamental para evitar erros comuns, como a escolha de cores que não harmonizam com os móveis ou paredes, ou a seleção de um modelo inadequado para o espaço. Rose atua como uma consultora; orienta sobre tecidos, blackouts e estilos, garantindo que a cortina não seja apenas um adorno, mas um elemento de aconchego e acabamento. “Cortina não é um gasto, é um investimento que tu tem por anos”. A qualidade é inegociável, uma lição que ela carrega desde seus primeiros dias de aprendizado. Ela se recusa a entregar produtos que não atendam a um padrão de excelência.

A corrida como válvula de escape

A rotina de empreendedora não tem horário fixo. “Não vou entrar às 7h30 e sair às 11h30… A Rose de hoje trabalha mais que a Rose de ontem”, confessa. Para equilibrar a pressão dos prazos e a responsabilidade de liderar uma equipe que vem crescendo, Rose encontrou um refúgio inesperado: a corrida de rua. O que começou por uma questão de saúde e para combater o sedentarismo no trabalho tornou-se um vício bom. “A atividade física abre a mente de um jeito quase inenarrável”, relata Rose. Ela tenta correr todos os dias, muitas vezes sozinha, e usa esse tempo para organizar os pensamentos e ter novas ideias para o negócio.

Futuro e autenticidade

Olhando para o futuro, Rose vê a tecnologia como aliada, mas acredita que ela jamais substituirá o toque humano e a exclusividade da costura sob medida. Em um mundo de produção em massa, ter algo único, com a “cara da empresa” ou da casa do cliente, é o pilar que sustentará o negócio. Com planos de expansão e novos projetos para este ano, a empresária mantém os pés no chão, priorizando sempre a qualidade que fideliza seus clientes. A maior recompensa, segundo ela, não é apenas financeira, mas ver a reação do cliente diante do trabalho finalizado: “Dizer que está bonito, aquilo ali não tem preço”, finaliza.

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