Jaque Weber: “Minha carreira é marcada por persistência e seguirá nessa pegada”

Atleta soma 21 anos de carreira, garantiu vaga no Mundial de Corrida de Rua e mira Olimpíadas de 2028.

A história de Jaqueline Beatriz Weber com o atletismo começou ainda na escola e, mais de duas décadas depois, continua entre pódios, competições internacionais e novos sonhos.

Natural de Teutônia, a atleta constrói carreira de destaque nas provas de meio-fundo e, aos 21 anos de trajetória, segue com olhar para frente.

A mais recente conquista veio no Rio de Janeiro, onde Jaque venceu o Campeonato Brasileiro de Corrida de Rua na prova da milha, com 1.609 metros.

O resultado foi muito festejado, ainda mais por ter garantido a classificação para o Mundial de Corrida de Rua, marcado para setembro, em Copenhague, na Dinamarca.

“Sem dúvidas, é a realização do trabalho, de que tudo valeu a pena. Cada esforço, dedicação e gota de suor contaram muito”, destaca Jaque.

Especialista nas provas de 800 e 1.500 metros, Jaque está acostumada a decisões apertadas. No Rio de Janeiro, porém, abriu 3seg para as adversárias e cruzar a linha de chegada na primeira colocação.

De acordo com a atleta, o controle emocional é parte essencial desse tipo de etapa. “Minhas provas de meio-fundo sempre são decididas no detalhe. Estou acostumada com essa situação e nervosismo de definir no limite”, explica.

A rotina de alto rendimento ajuda a entender como esses resultados são construídos. São de 10 a 12 sessões de treinamento por semana, que incluem musculação, corridas contínuas e treinos intensos na pista. A depender do período da temporada, o volume pode chegar a 120 quilômetros semanais.

Jaque costuma realizar parte dos treinamentos de pista em Lajeado, que tem estrutura sintética. Para ela, são nesses momentos que o trabalho mais duro é transformado em desempenho nas competições.

Cria do CT

A ligação com o Colégio Teutônia (CT) é um dos elos mais importantes da atleta. Foi na instituição que ela teve o primeiro contato com diferentes atividades e encontrou o ambiente que ajudou a moldar sua formação. “Acho que as coisas que conquistei dentro e fora do esporte foram forjadas pelo Colégio Teutônia. Sou e sempre serei grata pelos ensinamentos”, afirma.

Além do atletismo, Jaque participou do Grêmio Estudantil, praticou vôlei, dança e integrou o conjunto instrumental.

O reconhecimento também aparece quando fala das novas gerações. Entre os nomes que acompanha está a jovem Laura Brackmann Mallmann, atleta que já passou pela Seleção Brasileira de base e é vista por Jaque como uma das promessas do Rio Grande do Sul. “Ela tem um potencial gigante. Espero muito que consiga trilhar seu caminho e, daqui a pouco, represente o Brasil”, comenta.

Persistência

Ao longo de 21 anos, Jaque já conheceu 32 países por meio do esporte e participou de competições internacionais com a camiseta brasileira.

Também se graduou em Educação Física, concluiu mestrado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), integra a comissão de atletas da Confederação Brasileira de Atletismo e participa de um projeto social que atende cerca de 60 crianças.

A carreira, no entanto, também foi marcada por obstáculos. A própria atleta lembra que levou 18 anos até conquistar espaço no programa de alto rendimento da Força Aérea Brasileira.

Para ela, persistência é uma das palavras que melhor define a vida de quem tenta chegar ao alto nível no atletismo. “Tem que ser persistente, amar o que faz, perseguir os resultados e colocar o esporte em primeiro plano”, resume.

Jaque também chama atenção para uma realidade que ainda desafia atletas brasileiros, pois, muitas vezes, é preciso apresentar resultados antes de conquistar estrutura e apoio.

“O apoio tem que ser perseguido e existe uma persistência assim. Nada acontece muito fácil para o brasileiro. Há sempre a necessidade de superar os desafios para depois ter mais ‘tranquilidade’”, diz.

Sonho Olímpico

Embora 2026 tenha sido planejado como um ano de menor cobrança internacional, a preparação para os grandes objetivos está em andamento.

Jaque projeta temporadas mais intensas em 2027 e 2028, período em que pretende buscar marcas e pontuação para chegar aos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

O primeiro grande desafio será o Pan-Americano de Lima, em 2027. Na edição passada, em Santiago, a atleta terminou na quarta colocação dos 800 metros. “O objetivo é classificar, com isso, quero buscar essa medalha”, revela.

O ciclo olímpico também pode representar uma mudança gradual de foco. Embora a pista continue prioridade, Jaque vê nas corridas de rua um espaço para ampliar seus horizontes, especialmente em provas de 5, 10 e 21 quilômetros.

Depois de tantos anos, ela enxerga margem para evoluir. “Esses sonhos ainda ardem forte em mim e eu ainda vejo que tenho aonde crescer”, declara.

Há muito pela frente

Quando olha para trás, Jaque resume a carreira principalmente com uma palavra: gratidão. Foram viagens, derrotas, vitórias, aprendizados e a oportunidade de representar Teutônia, o Rio Grande do Sul e o Brasil.

“Se eu voltasse lá no passado e me perguntassem se eu queria viver tudo isso de novo, diria que sim. Aceitaria no exato momento, do jeito que foi, com os sofrimentos que tive no caminho e derrotas pesadas”, afirma.

A aposentadoria, por enquanto, não está nos planos. Com os olhos voltados ao ciclo de Los Angeles, a atleta ainda pensa em grandes resultados nos 1.500 metros e, posteriormente, em distâncias maiores, como 5 mil e 10 mil metros, além das corridas de rua.

A menina que descobriu o atletismo no Colégio Teutônia se transformou em uma atleta experiente, internacional e referência para quem está no início. Aos 21 anos de carreira, Jaque Weber dá sinais claros de que a história ainda está longe de chegar aos últimos passos.

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