Clínica Experts impulsiona crescimento com Inteligência Artificial

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Tiago Mario no South Summit / Crédito: Arquivo pessoal

De vendedor ambulante na adolescência a fundador de uma plataforma que atende milhares de clínicas na América Latina, Tiago Mário construiu sua trajetória a partir da necessidade de empreender. Natural de Marques de Souza, ele passou por diferentes experiências no comércio e no marketing digital até consolidar um projeto de educação on-line na área da estética, que abriu caminho para a criação da Clínica Experts em 2019.

A empresa surgiu inicialmente como uma solução simples de agenda digital, mas evoluiu para um sistema de gestão completo, impulsionado pelo aprendizado em programas de aceleração e pela conexão com o ecossistema de inovação. A trajetória exitosa resultou em participação na final da competição de startups do South Summit Brazil 2026, maior evento de inovação do país.

Grupo Popular – Qual a origem do Tiago Mário até a Clínica Experts?

Tiago Mário – Nasci em Marques de Souza. Desde muito novo, descobri que ia ter que fazer as coisas por mim. Comecei a vender artesanato com 14 anos, fui jovem aprendiz, trabalhei com vendas de cursos de Inglês e até vendi xampu de porta em porta. Com 18 anos, fui fazer Publicidade e Propaganda e descobri o mercado digital. De 2013 para 2014, comecei a entender que existia um movimento de infoprodutos e educação on-line. Tentei vários parceiros até engrenar um grande projeto na área de estética, o Estética Experts, que durou 7 anos e foi um sucesso incrível. Por último, veio a ideia de criar uma ferramenta para gerir essas clínicas, e aí nasceu o Clínica Experts em 2019. Em 3 anos, saímos de 800 clínicas para 8 mil.

GP – Como foi esse salto e quais conexões tornaram ele possível?

Mário – Entramos no mercado de software tentando entender como ele funciona. A ideia era fazer apenas uma agenda para eliminar o papel, mas o primeiro protótipo era muito ruim, feio e dava problema o tempo todo. Em março de 2020, veio a pandemia. Como tínhamos muitos alunos ativos no projeto anterior, decidimos liberar a ferramenta de graça para ajudar. Ali aprendemos demais sobre usabilidade, pois a pessoa vive dentro do sistema durante o horário de trabalho. O grande divisor de águas foi a conexão com o Instituto Caldeira. Foi onde aprendemos a linguagem da tecnologia, nos conectamos com fundos de investimento e participamos de programas de aceleração como o Ebulição em 2024.

GP – O que é inovação na prática?

Mário – Inovação para mim são novas maneiras de resolver velhos problemas. O empresariado da região, focado em indústria e comércio, às vezes demora a buscar novos caminhos. Inovação não precisa ser um robô ou algo mirabolante; pode ser algo simples que reduz o custo de produção em 20% ou 30%. Pode estar na distribuição, na maneira de se conectar com a comunidade ou na estrutura do negócio. Se o grande empresário não acordar, virá um pequeno que conseguirá competir de igual para igual em pouco tempo usando tecnologias como inteligência artificial.

GP – Para quem está começando, como transformar uma ideia em uma empresa?

Mário – Minha primeira resposta é vender. Nunca acreditei em negócio de PowerPoint; tive que fazer o meu vender desde o primeiro dia para sobreviver. A maior receita é o capital gerado pelo valor que você entrega às pessoas. Até maio de 2025, operamos 100% com capital próprio, reinvestindo tudo. Depois, via Ebulição, captamos R$ 5 milhões com o fundo Criatec 4 para acelerar o ritmo. Os fundos de investimento hoje buscam negócios validados, que já provaram que funcionam.

GP – Como funcionam os programas de aceleração?

Mário – O dinheiro da aceleração muitas vezes não paga nem as despesas de deslocamento, mas te dá acesso a pessoas que o dinheiro não compra. Tivemos mentoria do João Zaratini, fundador da Conta Azul, e do João Faé. Esse acesso e a exposição da nossa tese para pessoas que sabem mais do que a gente são os ativos mais importantes.

GP – De que forma vocês chegaram ao South Summit e como foi essa experiência?

Mário – O formulário de inscrição já é uma barreira que te desestimula, por ser quilométrico. Submetemos e fomos aprovados como finalistas. Descobri lá que o pitch deveria ser em inglês, o que foi um desafio, mas nos colocou em uma vitrine internacional. Após o evento, fomos abordados por fundos da Alemanha, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos. A chancela do South Summit é muito grande e mostrou que temos uma proposta de valor forte para a América Latina.

GP – Quais foram os principais desafios para internacionalizar o negócio?

Mário – Começamos no fim de 2024, quando fomos ao Web Summit Lisboa a convite da Apex Brasil. O principal desafio não é a língua, mas sim, entender a cultura de consumo local e a legislação de cada país. Por exemplo, na Europa ainda existem locais que obrigam o uso de papel na saúde ou restringem o uso de IA. Na América Latina, mesmo falando espanhol, os sotaques e termos mudam muito entre Argentina, México e Colômbia, o que impacta o suporte.

GP – Como a inteligência artificial entrou na equação da Clínica Experts?

Mário – Quando colocamos a mão no ChatGPT pela primeira vez, ficamos uma semana tentando entender o que estava acontecendo. A primeira aplicação foi a Ana, nossa IA que resolve o problema da recepção no WhatsApp com agendamentos de forma autônoma. Também aplicamos no prontuário, com a transcrição de consultas e geração de resumos automáticos. Hoje, você pode conversar com o sistema e perguntar sobre o financeiro ou tendências de crescimento. A IA nos permite escalar serviços que antes só os humanos faziam.

GP – Qual o futuro da Clínica Experts?

Mário – A meta para este ano é atingir 12.000 negócios. Queremos que a aplicação seja AI First, colocando a inteligência artificial no centro para automatizar até 75% das operações manuais do profissional. Nosso time deve chegar a 180 pessoas até o fim do ano. Nosso sonho é ser o grande player dessa nova era de saúde e tecnologia no Brasil.

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