A Cooperativa Languiru sofreu um revés em uma das principais estratégias para buscar uma solução para a planta industrial do Frigorífico de Suínos instalado em Poço das Antas. A Justiça julgou improcedente o pedido apresentado pela cooperativa para realizar o leilão judicial da unidade, encerrando, ao menos neste momento, a possibilidade de venda por meio desse modelo.
A informação foi confirmada pelo presidente liquidante, Paulo Roberto Birck, e pelo superintendente administrativo e financeiro, Gustavo Marques, durante entrevista ao programa Comunidade Alerta, da Rádio Popular, na manhã desse sábado (6/6).
O pedido de leilão havia sido protocolado pela própria cooperativa em 9 de junho do ano passado, após tentativas sem sucesso de venda direta da estrutura. A proposta previa a comercialização da planta por meio de hasta pública, modelo que era considerado uma das alternativas preferidas pela JBS para eventual aquisição do complexo industrial.
Com a decisão judicial, a cooperativa não poderá dar prosseguimento ao processo de leilão. A partir de agora, a direção pretende avaliar novos caminhos para a destinação do ativo. Entre as possibilidades estão a busca de outros modelos de venda ou até mesmo o desmonte da infraestrutura, o que inviabilizaria a retomada das atividades da unidade.
O frigorífico de Poço das Antas está parado desde 30 de junho de 2023, data do último abate realizado no local. No próximo dia 30 de junho, a paralisação completará três anos. A planta foi projetada para abater até 1.700 suínos por dia e se tornou um dos principais investimentos da cooperativa no segmento de proteína animal.
Quando ingressou com a ação judicial, a Languiru defendia que o leilão poderia acelerar a venda da estrutura, atrair investidores e gerar recursos para reduzir o passivo da cooperativa. A unidade chegou a ser avaliada em aproximadamente R$ 169,8 milhões, com previsão de lance mínimo de R$ 85 milhões em uma eventual segunda chamada.
A negativa da Justiça recoloca o futuro do frigorífico em um cenário de incerteza para a Languiru. Enquanto isso, produtores ligados à antiga cadeia de integração de suínos seguem aguardando uma solução definitiva para uma estrutura que permanece sem operação há quase 3 anos.

