A Série A do Campeonato Regional Certel Sicredi da Aslivata voltou a ter as comunidades como destaques. De Marques de Souza a Venâncio Aires, passagem por Westfália, Progresso e outras localidades, os clubes tiveram o apoio dos torcedores para transformar os domingos de futebol em momentos de mobilização.
Os números ajudam a dimensionar essa relação. Em Marques de Souza, o Brasil reuniu cerca de 800 pessoas. Em Venâncio Aires, o São Luiz já havia levado quase mil torcedores à estreia em casa e também organizou dois ônibus para acompanhar a equipe fora de seus domínios. O Poço das Antas levou 150 pessoas para acompanhar o confronto diante do Tiradentes, mesmo com a distância entre as localidades.
Para quem trabalha diariamente na organização dos clubes, a torcida é peça chave do projeto. O presidente e treinador do Gaúcho de Progresso, Robledo Carissimi, destaca que o trabalho realizado dentro de campo depende de uma estrutura que envolve diversas pessoas.
“Sozinho não sou nada. Tenho uma grande equipe, minha diretoria e mais pessoas de fora que ajudam. Se não fosse eles, nem estaríamos no Regional”, afirma.
O dirigente entende ainda que a presença dos torcedores pode ter reflexos importantes fora das quatro linhas, inclusive na busca por parceiros. “Isso ajuda também em questão de patrocínio e torcida. Precisamos focar quem está nos conosco ou nos ajuda e o resto fica para trás”, completa.
Força da arquibancada
Em Westfália, o envolvimento também aparece no cotidiano do Juventude. O presidente Tiago Bode conta que a rotina do clube é acompanhada por atividades e eventos, o que exige esforço da diretoria.
Isso tudo ultrapassa o dia do jogo e alcança as crianças da comunidade. Segundo Tiago, a diretoria mantém uma atenção especial à gurizada que frequenta o campo.
“Brincamos bastante ali no grupo da diretoria. A gente faz o acerto a cada fim de mês porque a gurizada está no campo. Um quer refri, o outro picolé, mais um quer salgadinho. Então, para mim, se eu conseguir atender o que eles querem, já é uma alegria”, relata.
O treinador do Ju, Júlio Abel Danzer, também destaca a importância dessa estrutura comunitária. Para ele, a organização ao redor do clube cria um ambiente que influencia no grupo de jogadores.
“A organização da comunidade é perfeita, o que dá um suporte muito bacana para o time. Sempre tem que ter o ambiente bom”, comenta.
Júlio defende que o espírito de união precisa estar presente independente do número de pessoas nas arquibancadas. A proximidade com os torcedores, porém, também aumenta a cobrança sobre quem está à frente da equipe.
O treinador recorda que já sentiu isso durante as partidas. “Ali sabemos que a pressão pega. Você fica na frente da torcida. Então, se acerta, é elogiado, mas quando erra, vai ser criticado”, relata.
Família, identidade e amor
A relação entre o São Luiz e a comunidade de Santa Emília (Venâncio Aires) é marcada principalmente pela identificação dos jogadores com o clube.
De acordo com o treinador, Ricardo Maggioni, 80% do elenco é formado por atletas que passaram pelas categorias de base da equipe e possuem ligação direta com a comunidade. “A vontade, o amor à camisa faz parte, entra em campo junto”, aponta.
Essa identificação também aparece nas arquibancadas. Ricardo diz que a comunidade cobrava a participação do São Luiz em uma competição de maior nível e abraçou a presença do time no Regional.
“A comunidade está feliz demais. O pessoal falava que precisávamos ir para um Regional e testar esses guris num campeonato mais forte”, conta.
O apoio não fica restrito aos jogos em casa. Na rodada, o São Luiz colocou dois ônibus à disposição dos torcedores para acompanhar a equipe fora de Venâncio. Em casa, a mobilização já havia sido ainda maior na estreia, quando quase mil pessoas estiveram no estádio.
Para Ricardo, a presença de familiares também influencia o desempenho dos atletas. “O primeiro quadro não é diferente. Tem pai, tio, primo, por eles serem daqui, todos vão ao estádio”, relata.
Respirar futebol
Se em alguns municípios a mobilização chama atenção pelos deslocamentos ou pela estrutura montada para acompanhar os jogos, o futebol faz parte da rotina de Marques de Souza. O presidente do Brasil de Marques, Tiago Rother, afirma que a relação entre clube e comunidade é histórica.
“As pessoas respiram futebol. As tardes de domingo não tem outra programação a não ser o Brasil”, afirma.
Na rodada, o clube reuniu cerca de 800 pessoas, mesmo em um domingo marcado pelo Dia dos Pais. Para Tiago, o número demonstra o quanto a comunidade abraçou o projeto.
A ideia do dirigente é fazer com que os atletas também compreendam a dimensão do clube para o município. “O atleta precisa viver, sentir como é o dia a dia do clube, como é a comunidade. Acho que conseguimos fazer com que os atletas entendam o que é o Brasil, o que é Marques de Souza e como funciona o clube”, explica.
A trajetória de Tiago se mistura com a história do Brasil. Ele lembra que era gandula. Agora, ocupa a presidência. “Eu sou Brasil. Quando o clube foi tricampeão regional, eu corria atrás de bola, há 35 anos. Hoje tenho a satisfação de ser presidente dessa agremiação”, comenta.
O envolvimento também aparece nas tarefas do dia a dia. “Se pedirem para cortar a grama, cuidar da copa ou fazer qualquer outra coisa, vou ser o primeiro a estar lá”, afirma Tiago.
Para aproximar ainda mais a comunidade, o Brasil também adotou uma medida para facilitar a presença dos torcedores nos jogos: transporte gratuito. “Quando tiver jogo do Brasil, terá ônibus e sem a cobrança de passagem”, enfatiza.
Acompanhar de longe
A mobilização não acontece apenas quando o jogo é disputado na cidade do clube. O Poço das Antas teve uma demonstração disso ao visitar o Tiradentes. Mesmo diante da distância, aproximadamente 150 torcedores acompanharam a equipe.
O presidente Maurício Steffen destaca justamente esse aspecto como diferencial. “ Nova Bréscia fica a quase 2 horas daqui [Poço das Antas]. Isso mostra o tamanho do apoio da nossa comunidade e dá um gás enorme para o time”, avalia.
O deslocamento dos torcedores reforça uma das características deste e dos recentes regionais: a ligação entre as equipes e as comunidades que representam. Em uma competição disputada em diferentes municípios, a torcida precisa pegar a estrada para continuar próxima do clube.
A presença nas arquibancadas, os ônibus organizados, as famílias no estádio e o envolvimento de dirigentes e comunidades reforçam que o Campeonato Regional Certel Sicredi é também uma competição construída pela sociedade.
Para os clubes, cada torcedor que comparece representa apoio, identificação e incentivo para seguir. E, em uma competição marcada pela tradição das comunidades da região, a arquibancada continua como parte importante da história de cada equipe.

