O Gaúcho de Progresso disputa pelo segundo ano consecutivo a Série A do Campeonato Regional Certel Sicredi da Aslivata. A participação em 2026, porém, nasceu com uma proposta diferente da adotada na temporada passada.
Sem repetir a parceria firmada anteriormente com o Atlético 48, o clube assumiu as duas categorias e promoveu uma reformulação no elenco.
A mudança já apresenta reflexos dentro de campo. Depois de três partidas, o Gaúcho soma 6 pontos e ocupa a 4ª colocação. Na estreia, perdeu por 3 a 0 para o Juventude, em Guaporé.
A reação veio na rodada seguinte, com uma expressiva goleada por 4 a 1 sobre o Canabarrense, em Progresso. Depois, voltou a vencer, desta vez por 5 a 3 diante do Minuano, em Canudos do Vale.
A campanha dá respostas positivas diante das dificuldades encontradas pelo clube em 2025. Na primeira participação na elite regional, o Gaúcho não conseguiu avançar à fase eliminatória.
Na avaliação do presidente e treinador Robledo Carissimi, entretanto, a experiência serviu para compreender melhor o nível e a dinâmica da competição.
Para esta temporada, a direção buscou atletas em diferentes pontos da região e também fora do Vale do Taquari. O grupo reúne jogadores de Porto Alegre, Veranópolis, Caxias do Sul, Lajeado e Guaporé. A montagem, segundo Robledo, foi feita com acompanhamento direto do futebol amador.
“Tínhamos visto alguns deles jogar e fomos atrás para investigar, pedir opinião, olhar atuações e conhecê-los. Ninguém foi contratado apenas por ser indicado, queremos ter peças de qualidade na hora da reposição, não só nos titulares”, explica.
Para Robledo, a velocidade e a condição física ganharam peso nas partidas. Por isso, a formação do grupo não pode depender apenas da individualidade.
“O físico e a velocidade dominam hoje em dia. Não é mais apenas a qualidade ou técnica. Se não correr e não disputar o jogo inteiro, você vai perder”, avalia.
Aprendizados
Carissimi analisa que a principal diferença entre as duas temporadas está na preparação mental para a competição. No entendimento do dirigente, muitos atletas que participaram da campanha passada ainda não conheciam a dimensão da Série A da Aslivata e demoraram a compreender o equilíbrio dos confrontos.
“Uma das maiores dificuldades foi que a maioria nunca tinha jogado o Regional. Eles não tinham entendido o peso e a importância”, afirma.
A experiência é utilizada como aprendizado. A orientação interna é encarar cada rodada como decisiva e somar pontos desde o início. O dirigente trabalha com a possibilidade de seis pontos como uma marca importante para a classificação, embora reconheça que o equilíbrio e os critérios de desempate podem fazer diferença.
“Desde o primeiro jogo, precisamos ter o pensamento de somar pontos e entender que não teremos nenhum jogo fácil”, destaca Robledo.
A reformulação também mudou a identidade do time. Conforme o treinador, poucos atletas da formação anterior permaneceram na equipe Principal, entre eles Carlos e Binho.
A maior parte do grupo foi composta por jogadores de fora de Progresso, enquanto o Aspirante recebeu atenção especial para manter uma base local.
A equipe ainda busca encontrar o entrosamento ideal. Robledo reconhece que reunir atletas que vivem em municípios diferentes é uma das dificuldades do amador.
O desafio aumenta porque os atletas também são disputados por outros campeonatos amadores do estado. O dirigente cita competições como o Serramar e o futebol de Santa Catarina e reconhece que alguns jogadores podem receber propostas para outras disputas.
Paixão de fora
Em Progresso, a campanha também mobiliza os torcedores. Robledo relata que o principal assunto entre os moradores é justamente a montagem do elenco e os nomes que chegaram para defender o clube.
A cautela, entretanto, continua como uma das características da direção. O presidente evita projetar uma eventual campanha até fases avançadas, mesmo com o bom começo.
“Montamos um time mais forte que o ano passado, mas a não prometemos nada porque sabe da dificuldade que é e tudo tem que encaixar. Pode chegar e dar certo, bem como não rolar. Futebol é complicado”, diz.
Nas arquibancadas, a expectativa agora é acompanhar até onde o novo Gaúcho pode chegar. O clube terá pela frente uma sequência de adversários conhecidos da região e sabe que a disputa por classificação deve permanecer acirrada.
Além da campanha na Série A, a direção projeta uma preocupação complexa: a formação de jogadores em Progresso. O município tem escolinhas de futebol, e Robledo defende a criação de oportunidades mais estruturadas para os jovens chegarem ao futebol de campo.
Uma das ideias é a retomada da categoria Aspirantes nos campeonatos municipais, para que jogadores mais novos tenham maior tempo de jogo e possam aprender aspectos específicos do futebol de campo.
Para o dirigente, a criação de uma categoria voltada aos jovens ajudaria a preparar uma nova geração e, ao mesmo tempo, fortaleceria o próprio Gaúcho a médio e longo prazo.
A curto prazo, o time de Progresso chega à sequência do Regional em posição de classificação e com equipe construída para responder a uma frustração da temporada anterior. A meta agora é transformar experiência em competitividade e fazer do Gaúcho um candidato real para o mata-mata.
“Somos um time aguerrido, ninguém vai
nos tirar pontos de forma fácil.”
Robledo Carissimi
Presidente e técnico

