A saúde física e mental de empresários e colaboradores foi o tema central da reunião-almoço promovida pela Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil) na quinta-feira (27/8), na sede da entidade. Com o tema voltado à relação entre saúde, equilíbrio e desempenho profissional, o encontro reuniu empresários, representantes de entidades e profissionais da área da saúde para discutir os impactos da rotina empresarial sobre o bem-estar e a importância da prevenção.
A direção da Acil destacou que a tecnologia ampliou a capacidade de produção e comunicação, mas também reduziu as fronteiras entre trabalho e vida pessoal. O celular, utilizado para atender clientes, fornecedores, funcionários, bancos e outras demandas, faz com que muitos empresários permaneçam em um estado permanente de trabalho.
A reflexão também abordou o peso das decisões tomadas diariamente por quem empreende. Contratações, investimentos, financiamentos, mudanças de estratégia e riscos financeiros se somam à burocracia, à carga tributária e às constantes alterações nas regras. Nesse cenário, a saúde do próprio empresário pode seguir a lógica e ficar em segundo plano.
O presidente da Acil, Eduardo Gravina, avaliou que o encontro buscou justamente chamar atenção para esse aspecto. “Às vezes, o óbvio precisa ser dito. A gente se preocupa tanto com números, com situações políticas, burocráticas, tributárias, e tem que se preocupar também um pouco com a saúde do empresário”, afirmou.
Saúde como estratégia
A especialista em medicina de família e comunidade e pós-graduada pelo Hospital Albert Einstein, Elena Oliveira Ederich, conduziu parte da programação ao lado do psicólogo Ezequiel Calegari. A profissional defendeu uma mudança na forma como as empresas encaram o tema.
É comum que a saúde seja discutida dentro das organizações principalmente como uma estratégia para atrair e reter colaboradores ou melhorar resultados. A proposta apresentada no encontro foi ampliar essa perspectiva e colocar o cuidado individual no centro da discussão. “A gente pensa às vezes em empresa que é só negócio, é só dinheiro, é vendas, é lucro. E esquece que por trás tem as pessoas”, destacou.
A médica também abordou o conceito de saúde integral, que envolve corpo, mente, relacionamentos, trabalho e propósito. Mais do que a ausência de doenças, a saúde foi apresentada como a capacidade de manter energia, clareza e qualidade de vida para desempenhar as atividades profissionais e pessoais. Outro ponto trabalhado foi a longevidade saudável.
Produtividade
O psicólogo Ezequiel Calegari diferenciou a ansiedade natural, que pode preparar as pessoas para mudanças e desafios, dos transtornos que passam a comprometer a rotina e a qualidade de vida. Chamou atenção para os efeitos do adoecimento emocional dentro das empresas e, entre os fenômenos citados, o presenteísmo, situação em que o trabalhador está fisicamente no ambiente profissional, mas não consegue desempenhar plenamente suas funções devido a problemas de saúde mental ou dificuldade emocional.
Para Calegari, o impacto não se limita aos afastamentos. “A empresa que conseguir estar atenta à saúde mental, olhar para o colaborador e desenvolver políticas lá dentro, para o clima organizacional, vai conseguir resultados melhores tanto na produtividade, quanto no pertencimento do colaborador”, afirmou.
O psicólogo também ressaltou que saúde mental não se resume à existência ou não de um transtorno psiquiátrico. O processo envolve autoconhecimento e a capacidade de perceber as próprias emoções e comportamentos. Intensidade, duração, frequência e prejuízos causados pelas emoções são alguns dos aspectos que, segundo ele, precisam ser observados.
NR-1 e ambiente
A programação também abordou as mudanças relacionadas à Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) e à necessidade de um olhar mais atento aos riscos psicossociais no ambiente profissional. Calegari reforçou que a discussão não significa eliminar cobranças ou responsabilidades dentro das empresas, mas trabalhar para reduzir fatores que podem contribuir para o adoecimento.
Medidas isoladas não são suficientes. Ele citou como exemplo salas de descompressão, que podem contribuir para o bem-estar, mas não substituem a construção de um ambiente saudável. “O que precisa existir é um ambiente que propicie a interação, que o colaborador consiga ter um canal aberto com a liderança e realmente se sentir pertencente”, explicou.

