Empreender aos 21 e 24 anos significa, para o casal Dandara Cristina Theisen e Gustavo Felipe Theisen, aprender diariamente na prática. Há cerca de um ano, o casal assumiu uma loja de artigos esportivos no Bairro Languiru, em Teutônia, e transformou a oportunidade em um projeto que vai além da comercialização de calçados, roupas e equipamentos. A proposta da Beti Esportes é aproximar o negócio da comunidade esportiva, entender as necessidades dos consumidores e criar vínculos que ultrapassem a relação de compra e venda.
A história dos dois com o esporte começou antes do empreendedorismo. Dandara cresceu acompanhando o pai, Gilberto Frigo, ligado ao futebol, e praticou vôlei durante 6 anos na Juventus. Gustavo também participou de atividades esportivas desde a infância, com passagem pelo futebol e experiências em competições locais. A convivência com esse universo ajudou a aproximá-los do segmento que hoje se tornou profissão.
A oportunidade de assumir a antiga Via Esporte surgiu em 2025. Dandara já tinha o desejo de empreender e Gustavo acabou incorporando o projeto. Os dois deixaram os empregos que tinham para assumir o desafio e passaram a dividir também as responsabilidades da empresa.
“Dá medo de arriscar porque tu sai da zona de conforto e vai para algo novo. Mas o que eu diria é para arriscar. Se tem vontade, vai. Se tem medo, vai com medo mesmo”, resume Dandara.
Mais do que vender um produto
Desde o início, perceberam que a operação exigiria mais do que colocar produtos nas prateleiras. Uma das primeiras preocupações foi melhorar a apresentação da loja. Dandara realizou um curso de visual merchandising e passou a aplicar conceitos de organização, exposição por cores e combinação de peças.
A mudança também buscou aproximar produtos que antes eram vendidos separadamente. Tênis, camisetas, bermudas e outros itens passaram a ser apresentados de forma integrada, facilitando a escolha do consumidor.
Outro aprendizado foi compreender que cada modalidade possui necessidades específicas. Uma meia, por exemplo, pode ter características diferentes para corrida ou futebol. O mesmo ocorre com calçados, que possuem tecnologias de amortecimento, estabilidade e diferentes tipos de solado.
A busca por conhecimento faz parte da rotina. Gustavo possui formação em Administração e pretende retomar os estudos em Gestão Comercial.
O esporte como experiência
A Beti Esportes passou a promover ações relacionadas ao esporte, como a Copa Beti e treinões de corrida realizados em parceria com marcas e grupos esportivos. Também participou de eventos ligados à corrida e mantém contato com clientes por meio das redes sociais e de grupos exclusivos.
A estratégia inclui ainda vendas por WhatsApp, entregas e o chamado grupo VIP, no qual são divulgadas promoções e condições especiais antes de chegarem ao público geral.
Se o consumidor não vai até a loja, a empresa procura eles. “Não é apenas vender, é criar uma experiência para o cliente”, afirma Dandara.
Loja física, digital e gestão de estoque
Mesmo com a concorrência da web, acreditam que a loja física mantém diferenciais importantes. Experimentar o produto, receber orientação e sair do estabelecimento com a compra são alguns deles.
Na gestão, um dos principais desafios encontrados pelo casal é o controle do estoque. Como parte das compras precisa ser programada com meses de antecedência, a escolha dos produtos exige planejamento. Em alguns casos, peças e calçados são adquiridos antes mesmo de a temporada começar.
Ao mesmo tempo, é preciso equilibrar o estoque já existente com lançamentos e novidades. A empresa realiza ações promocionais para aumentar o giro dos produtos. As funções administrativas foram divididas entre os integrantes da família. A mãe de Dandara, Cláudia Frigo, auxilia nas áreas financeira e contábil, enquanto o casal se divide entre vendas, marketing e outras tarefas da operação.
A experiência tem sido tão importante quanto a formação teórica. “Tu nunca vai acertar tudo. Vai errar, mas é da gente aprender com os erros e fazer melhor”, afirma Gustavo. A principal mensagem que levam é não esperar que todos os fatores estejam perfeitos para começar. “Empreender nunca é fácil. No começo é um desafio, mas, com trabalho e dedicação, tudo dá certo”, resume Gustavo.

