A força do coletivo no empreendedorismo feminino

Painel com quatro lideranças de Teutônia, Estrela e Lajeado foi realizado diretamente do estande do Grupo Popular na Festa de Maio

As empresárias Janara Cerutti Kettermann, vice-presidente do Grupo de Mulheres Empreendedoras de Teutônia, Maiquéli Josefiaki, coordenadora do Núcleo de Mulheres Empreendedoras da CIC Teutônia, Aline Magalhães Krabbe, do Comitê de coordenação da Cacis Mulher de Estrela, e Débora Campão Soares, coordenadora do Fórum da Mulher Empresária de Lajeado, participaram do programa Empreendedoras em Ação dessa quinta-feira (14/5).

Enquanto lideranças em núcleos e grupos de mulheres do Vale do Taquari, elas discutiram o papel estratégico das mulheres nos negócios e os desafios, o engajamento e a importância do associativismo para o crescimento econômico.

O despertar da gestora

Um dos pontos centrais da discussão foi a transição da mulher de uma função operacional para o nível estratégico, especialmente o seu reconhecimento e posicionamento quando já está na liderança, em muitos casos, de empresas familiares. Débora e Janara enfatizaram que muitas mulheres chegam aos grupos sentindo-se “pequenas” ou afirmando que apenas “ajudam” o marido na empresa da família. No decorrer do processo, se reconhecem como proprietárias e aprendem a se posicionar de acordo com as atividades e responsabilidades que já exerciam.

Em muitos casos, é por meio da convivência nesses espaços coletivos que elas se percebem como gestoras, donas e estrategistas. É preciso reconhecer também que a visão estratégica feminina é potencializada por uma visão periférica natural, que permite cuidar dos detalhes sem perder de vista o todo, embora o desafio seja evitar a sobrecarga de equilibrar 500 pratos ao mesmo tempo. As empresárias também reconhecem a necessidade de aprender com os homens a melhorar habilidades como o foco, essencial para o negócio.

Desafios do empreender

As painelistas foram unânimes ao apontar os principais entraves para os negócios hoje:

– Escassez de mão de obra: é a dor comum a todos os setores, desde a indústria até o comércio, dificultando o crescimento e a retenção de talentos;

– Conflitos geracionais: com várias gerações convivendo no mesmo ambiente de trabalho, o desafio do gestor é extrair o melhor de cada perfil, desmistificando estigmas sobre jovens e veteranos;

– Insegurança jurídica e fiscal: A Reforma Tributária e novas legislações geram incertezas e exigem que a empresária esteja constantemente atualizada para garantir a estabilidade do negócio;

– Custos elevados: a inflação de insumos e os juros altos comprimem as margens de lucro, exigindo malabarismos financeiros.

Como os grupos fortalecem o Vale

Cada grupo representado no debate possui uma agenda ativa de fomento ao desenvolvimento pessoal e profissional, tornando-se um espaço de conexões, trocas e netwoking, mas também, de doação de tempo e energia, com possibilidade de muitos novos aprendizados.

O Fórum da Mulher Empresária, da Acil de Lajeado, realiza o tradicional “Café da Mulher Empresária” com temas técnicos, como conflitos geracionais e inteligência artificial. Oferece capacitações quinzenais e reuniões de sensibilização para novas integrantes, além de realizar visitas técnicas a empreendimentos externos e das próprias associadas.

O Núcleo de Mulheres da CIC Teutônia, com mais de 50 mulheres, foca em networking e conteúdo técnico (marketing, vendas, IA). Promove o evento anual Rodada de Negócios, reunindo mais de 100 empreendedoras para uma noite de trocas.

O Cacis Mulher de Estrela, grupo fundado em 2009, promove encontros mensais baseados nas demandas das associadas e visitas técnicas. Seu evento principal é o Happy Hour das Empreendedoras, realizado em março dentro da programação do Multimulher. Também, promove visitas técnicas e momentos de interação somente entre as associadas.

Com 7 anos de história, o Grupo de Mulheres Empreendedoras de Teutônia funciona como uma associação. Realiza reuniões com pautas específicas e confraternizações. Recentemente, liderou uma viagem técnica para Santa Catarina com 33 mulheres para conhecer modelos de gestão de empresas de diversos portes, integrando as associadas com outros grupos de mulheres.

Engajamento e rede de apoio

O debate encerrou com um convite à participação. Para as líderes, cada grupo funciona como um treino para a vida real: um ambiente seguro onde a mulher pode vencer a vergonha de falar em público, trocar experiências sobre sucessão familiar e encontrar apoio para sua saúde mental. A mensagem final foi clara: “sozinhas podemos caminhar, mas juntas vamos mais longe e com mais leveza”, resumiu Janara.

Embora o agronegócio e a indústria sejam pilares da região, são as micro, pequenas e médias empresas, muitas delas familiares, que garantem o giro constante da economia. E muitas destas empresas contam com líderes que enfrentam seus desafios para gerir o tempo e as demandas, além da necessidade de contar com redes de apoio. Débora reforça o convite: “sempre pedimos que as mulheres priorizem e dediquem este tempo a si”. A ideia não é chegar em um grupo com o foco em vender. Isso pode ser consequência, sim, mas, acima da venda estão objetivos similares, de troca de experiências e busca de soluções para demandas em comum.

Assista à entrevista

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