Secretário de Meio Ambiente de Lajeado por 8 anos, Luis André Benoitt é pré-candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Segundo ele, a candidatura veio a pedido dos pré-candidatos a senador, Ubiratan Sanderson, e a governador, Luciano Zucco.
Benoitt deixou o cargo na pasta municipal em fevereiro deste ano. Na sequência, assumiu sua cadeira na Câmara de Vereadores. O político fez 1.217 votos nas eleições de 2024, mas ainda não havia exercido o mandato.
Em entrevista ao Grupo Popular, Benoitt destaca sua experiência na gestão pública e fala sobre suas principais bandeiras para o estado e o Vale.
Grupo Popular – Como se construiu sua pré-candidatura?
Luis Benoitt – Nos 8 anos em que fui secretário, conseguimos fazer um baita trabalho com a equipe que formamos. Quando entramos em 2017, tínhamos um passivo de cerca de 1.500 processos de licenciamento parados e, antes de eu sair, conseguimos que qualquer empresa recebesse seu licenciamento em 72h. Isso me deu um grande contato com empresários de todos os portes, além do trabalho realizado na causa animal, como a implantação da clínica veterinária municipal. O reflexo disso foi a eleição para vereador, onde tive a honra de ser o mais votado do PL no Vale do Taquari. Agora, coloco meu nome à disposição para auxiliar na mudança que o RS precisa.
GP – Quais as principais bandeiras que o Vale já te demandou?
Benoitt – Uma das questões centrais é a infraestrutura; eu sou contra o modelo de pedágio proposto. Temos também um sério problema na regulação da saúde no Vale. A 16ª Coordenadoria não tem poder de diálogo com o Estado; um médico local avalia um paciente como prioridade 1, mas o sistema Gercon, em Porto Alegre, por uma análise apenas documental, rebaixa para prioridade 2 ou 3. A regulação e as avaliações médicas precisam ser regionais para reduzir as filas. Além disso, defendo a valorização do empreendedorismo; hoje os licenciamentos estaduais demoram uma eternidade, o que faz empresas migrarem para Santa Catarina e Paraná.
GP – Algumas práticas e dinâmicas locais poderiam ser replicadas em nível estadual?
Benoitt – Com certeza. Em 2017, o orçamento de Lajeado era de R$ 292 milhões e hoje está chegando a R$ 700 milhões. Governo não gera dinheiro, quem gera é o imposto das pessoas e das empresas. O trabalho de agilizar processos reflete diretamente no crescimento da arrecadação, pois atrai novas empresas. Levar 1, 2 ou 3 anos para conseguir uma liberação ambiental trava e engessa o crescimento do estado.
GP – Uma não agilidade no trâmite dentro de uma Secretaria de Meio Ambiente pode travar uma urbanização?
Benoitt – A expansão imobiliária no Vale do Taquari é muito forte e muitas empresas de fora vêm investir aqui. No entanto, temos uma legislação muito atrasada, como o Código Florestal e a Lei de Parcelamento de Solo de 1969. Hoje, 15% do loteamento precisa ser destinado a áreas institucionais, o que muitas vezes gera áreas ociosas e custos de manutenção para as prefeituras. Precisamos mudar isso para permitir permutas, onde o loteador poderia construir um posto de saúde ou uma escola em troca desse percentual. Também, as regras de retirada de vegetação precisam ser revistas, embora isso dependa da esfera federal.
GP – Como você enxerga diferentes nomes, nichos e sua viabilidade eleitoral?
Benoitt – Eu discordo da ideia de que o Vale não elege porque tem muitos candidatos. O problema é a quantidade de votos para candidatos de fora. Com quase 300 mil eleitores, o Vale elegeria tranquilamente quatro deputados estaduais e dois federais se os votos fossem concentrados nos nomes daqui. Infelizmente, muitos candidatos locais não eleitos viram assessores de deputados de fora, o que mantém essa migração de votos.
GP – A reforma tributária pode impactar a nossa região?
Benoitt – Com certeza. Ouço muitos empresários preocupados que já olham com atenção para o Paraguai, onde o crescimento é forte e o imposto é único de 10%. A carga tributária e suas alterações impactam diretamente o consumidor final, que arca com todos os impostos da cadeia embutidos no preço da cesta básica. Precisamos simplificar o sistema para atrair empresas e melhorar a vida de todos.
GP – Qual a solução para uma infraestrutura viária mais adequada?
Benoitt – Causa estranheza o governo fazer uma concessão e ainda colocar R$ 1,5 bilhão nela; normalmente o governo deveria ganhar recursos com a concessão. O Vale não é contra pedágios, pois já convivemos com eles há 30 anos na ERS-130, mas somos contra as taxas abusivas e a quantidade excessiva de praças com o sistema free flow, que pode gerar multas injustas para pessoas que têm dificuldade com a tecnologia.
GP – Sobre as prioridades do Funrigs?
Benoitt – Eu sou contra a utilização do Funrigs para obras novas. O fundo deve ser para a reconstrução. Por exemplo, querem gastar R$ 300 milhões em uma ponte nova enquanto a avenida que liga Cruzeiro a Lajeado nem sequer foi arrumada. Muitos empresários e famílias ainda não se recuperaram e o fundo deveria dar dignidade para quem perdeu tudo, não ser usado em obras com fins eleitorais.

