Pesquisa de estudante da Univates propõe aplicação de microrganismo encapsulado para solucionar fissuras no concreto

O cimento é o material mais utilizado na construção civil. Embora apresente excelente resistência à compressão, quando tracionado tende a fissurar e romper com facilidade. Essas fissuras são responsáveis por grande parte da deterioração das construções. Para diminuir os problemas de fissuração, existem propostas como o uso de aditivos cristalizantes ou adições que induzam a cicatrização. Essa opção acaba, no entanto, por diminuir a resistência mecânica ou influenciar no pH do produto.

Uma alternativa a essa dificuldade foi apresentada por Graciela Mânica, estudante de Engenharia Civil da Univates, no seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), orientado pela professora doutora Claucia Fernanda Volken de Souza. O projeto é inovador pois sugere a utilização de microrganismos precipitantes de carbonato de cálcio, ou calcita (CaCO3), para solucionar os problemas de fissuração sem interferir de maneira negativa em propriedades de materiais cimentícios. 

Dessa forma, quando as fissuras aparecem e recebem a umidade do ar, o microrganismo é ativado e as fendas são seladas, sem necessidade de utilizar mais cimento para fechá-las. “Se levarmos em conta que a produção do cimento causa impactos ambientais consideráveis, a utilização desses microrganismos também ajuda nesse sentido”, explica Graciela. Para a professora Claucia, o trabalho possibilita o emprego de uma tecnologia inovadora, sustentável e de baixo custo. A docente diz que a aplicação biotecnológica na área da construção civil foi uma atividade nova para ela. “Nesse sentido, o apoio do professor Rafael Mascolo, do curso de Engenharia Civil, foi importante para o desenvolvimento do trabalho”, lembra.

Os microrganismos, um encapsulado e outro não, foram adicionados aos corpos de prova de concreto com fissuras. Esses materiais foram mergulhados em água ou água com ureia para ativação do microrganismo. Posteriormente observou-se a recuperação das fissuras nos que continham o encapsulamento. Nos outros casos, incluindo os corpos de prova sem nenhum tipo de microorganismo, não houve a cicatrização. Um teste caseiro de Graciela também comprova a autenticidade da pesquisa. “Apliquei o microrganismo encapsulado nas fissuras que surgiram na casa de uma amiga e em 15 dias elas estavam cicatrizadas”, conta.

Da mesma forma, foi verificado se as cápsulas poderiam interferir na resistência da argamassa. Os ensaios à tração e à compressão foram realizados aos sete e aos cem dias, sendo verificada redução de resistência principalmente à compressão. Quando adicionado de forma livre, o microrganismo demonstrou, porém, interferir positivamente, aumentando a resistência à compressão. Graciela esclarece que as cápsulas baixaram a resistência à compressão em função do seu tamanho, de aproximadamente 4 mm.

Conforme a estudante, o trabalho utilizou esse tamanho de cápsula porque foi uma primeira tentativa e o tempo relativamente curto para testar diferentes tamanhos. Graciela pensa agora em continuar a pesquisa em um mestrado. Assim ela teria a oportunidade de testar outras maneiras de aplicar o microrganismo ao concreto, a fim de viabilizar em escala real, já que a pesquisa foi feita em escala de laboratório. 

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