Audiência Pública virtual sobre Consulta Popular com o Codevat sofre ataque de hackers

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Cíntia Agostini, presidente do Codevat

O Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat) tinha audiência pública virtual marcada para esta terça-feira (08/09) para tratar da Consulta Popular. Era a primeira das 28 audiências que serão realizadas em todas as regiões do Estado. A reunião era coordenada pelo Governo do Estado.

Porém, a reunião acabou sendo interrompida, e tendo que ser cancelada e remarcada, por causa de um ataque de hackers. A reunião ocorria pelo Google Meet. O link, gerado pelo Estado, havia sido divulgado pelo Estado e pelo Codevat. Quando a reunião iniciou, os hackers que invadiram começaram a apresentar cenas pornográficas e utilizar palavras de baixo calão. Conforme a presidente do Codevat, Cíntia Agostini, a situação foi bastante constrangedora. Já eram quase 60 pessoas na reunião quando o ataque começou. “Só deu tempo de eu dar bom dia e agradecer a presença de todos, e falar sobre a virtualização da Consulta Popular. Aí entra uma música, um funk, e começam imagens pornográficas, palavras de ordem, de baixo calão, e mensagens no chat muito feias. Todo grupo ficou sem entender”, conta.

Segundo Cíntia, o grupo de hackers era composto por quatro a cinco pessoas. “Não eram ataques a ninguém que estava ali, porque se percebia que não tinha direcionamento para uma ou outra pessoa, não nominava ninguém. Eram coisas em geral”, explica.

Ela acredita que o ataque era apenas para tumultuar a reunião. “A coisa que me parecia mais complicada do que o tumultuar a reunião, era alguém no chat toda hora colocando um comando no computador, colocando ‘coloca esse comando para acabar com a reunião'”, conta. Para Cíntia, neste momento, pareceu que poderia ser feito algo que causasse alguma interferência ou prejuízo nos computadores dos participantes. “Mas eu não tenho clareza sobre isso”, considera.

A presidente relata que neste momento solicitou aos responsáveis do Estado que encerrasse a reunião, ao mesmo tempo que pedia aos participantes que deixassem a videochamada. Com receio, a coordenação cancelou a reunião. Para as reuniões que seriam realizadas durante a tarde, com outras regiões, foi criado um novo link, em outro aplicativo. “Mudou-se a lógica do aplicativo e do link já na sequência”, reforça.

Conforme Cíntia, ataques como o sofrido pelo Codevat e pelo Estado nesta terça-feira tem ocorrido em todo mundo. “Há um movimento de invasão de diversos eventos públicos tais quais os que aconteceram na nossa reunião”, esclarece.

A presidente explica que o Estado que era coordenador do evento está verificando o que pode ter ocorrido. “Não deu nem tempo de iniciar a gravação da reunião. Então não sei nem se eles vão conseguir fazer, efetivamente, essa averiguação”, pondera. Ela destaca ainda que só se pode tomar alguma medida se alguém foi ofendido pessoalmente, o que não ocorreu, ou se tivesse ocorrido a invasão de algum dado de algum dos participantes. “O que também não aconteceu porque na medida que eles pediam para dar um comando, ninguém o fez”, salienta.

Nova data

Com toda a situação ocorrida, a reunião com o Codevat teve que ser cancelada e foi marcada para outra data. A audiência pública ocorrera na próxima segunda-feira (14/09). O procedimento adotado será o que foi feito nas outras reuniões após o incidente. Os links da reunião serão enviados aos membros das assembleias e utilizando outro sistema. “É um sistema privado que tem um pouco mais de restrição e controle, inclusive dos acessos e da manutenção”, explica.

Antes os links eram divulgados para a população em geral para incentivar a participação popular, porém, por medida de segurança, o procedimento precisou ser modificado e a divulgação restrita. As reuniões que já foram feitas com esta sistemática não tiveram problemas. “Mas, obviamente, foi um link divulgado meia hora antes das reuniões, então também teve prejuízos para as outras regiões porque não conseguiram ter a divulgação adequada como esperavam”, pondera.

A Consulta Popular 2020

A presidente explica que a reunião discute os critérios da Consulta Popular e inicia o processo na região. “Seria a primeira região a iniciar o processo e vai ser a última. Mas não impacta no nosso cronograma”, destaca. Na semana que vem o Codevat inicia a Consulta Popular definindo os critérios, as condições e a quantidades de reuniões para definir os projetos que vão para a cédula de votação. Conforme Cíntia, a região deve receber em torno de R$ 315 mil no orçamento de 2021 e mais R$ 315 mil no de 2022. “Condicionados, no caso de 2022, a ter receita. Porque discutimos com o Estado o montante do recurso. O Estado disponibilizou R$ 20 milhões para todas as regiões, mas R$ 10 milhões com certeza e 100% garantidos no roçamento do próximo ano, e os outros R$ 10 milhões condicionados a ter receitas para o orçamento em 2022”, explica.

É preciso definir ainda a quantidade de projetos que vão para as cédulas, característica dos projetos, quanto de recurso cada um recebe para, no final de setembro, definir os projetos que vão para a votação para que, em outubro e novembro, ocorra a votação. “Todo processo da Consulta este ano está ocorrendo de forma virtual”, reforça. A votação ocorre entre 26 de outubro e 03 de outubro, são sete dias de consulta, diferente de como era até o momento com três dias de votação. “Também só de maneira online. Nos outros anos tínhamos um modelo offline que não vai mais acontecer”, complementa.

Os projetos ainda vão ser discutidos, mas Cíntia destaca que eles são baseados no chamado Caderno de Diretrizes que é fundamentado no Planejamento Estratégico. “Os projetos devem ser vinculados ao Planejamento Estratégico regional do Codevat, e ali tem projetos de diversas áreas”, explica. Estão excluídos projetos das áreas de competência do Estado como Saúde, Educação e Segurança Pública. Estão incluídos projetos que olham para a agricultura, agroindústria e agronegócio familiar fundamentalmente, na área do turismo, qualificação, inovação, pequenos negócios, gestão pública, entre outros.

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