Intenção de Consumo das Famílias recua em setembro

Novo recuo reforça cautela nas decisões de consumo por parte das famílias.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), a Intenção de Consumo das Famílias (ICF) gaúchas atingiu 66,3 pontos em setembro. Esse resultado, divulgado pela Fecomércio-RS, representou uma queda em relação ao mês anterior (-6,6%) e também em relação a setembro de 2022, com variação de -11,6%.

Comparado ao pré-pandemia (edição de março de 2020 da pesquisa) o índice tem defasagem de 33,2%. O presidente da Fecomércio-RS, Luiz Carlos Bohn comenta que, apesar de aspectos conjunturais positivos, como a resiliência do emprego e a desinflação em curso, os resultados do ICF indicam que as famílias, cuja situação financeira se mantém difícil pelo quadro de endividamento e inadimplência, seguem reforçando a sua dose de cautela nas decisões de consumo.

A queda na margem teve o movimento negativo de todos os indicadores da pesquisa. Emprego Atual (86,9 pontos; -3,4%) e Renda Atual (81,7 pontos; -3,2%) registraram perdas marginais pelo quinto e sétimo mês consecutivo, respectivamente. Dentre os respondentes, 32,7% afirmaram que se sentem menos seguros no emprego atual que no ano anterior, 41,1% se sentem iguais e 19,6% se sentem mais seguros. Já para a renda, 28,9% relataram piora em relação a setembro de 2022, enquanto 60,5% relataram estar igual e 10,6% melhor. 

Quanto aos componentes que captam a percepção dos indivíduos quanto ao consumo, as quedas na margem em Consumo Atual (-11,2%) e em Perspectiva de Consumo (-6,7%) deixaram os indicadores em 62,4 e 68,1 pontos, respectivamente. De acordo com os respondentes, 55,2% afirmaram estar consumindo menos que no mês anterior, enquanto 27,3% relatam mesmo nível de consumo e 17,5% consumo maior. Para os próximos meses, 44,1% acham que o consumo da família e da população tende a ser menor que no ano passado, enquanto 43,7% acreditam que deve ser igual e 12,2% avalia que deve ser maior. 

Quanto aos indicadores do ICF-RS com os menores níveis, os recuos na margem foram de 11,9% em Momento para Consumo de Bens Duráveis (33,4 pontos) e de 13,3% em Perspectiva Profissional (32,7 pontos). Entre os respondentes, 83,1% acreditam que é um mau momento para pessoas comprarem bens duráveis e 77,5% não esperam melhora profissional nos próximos meses – o que, no caso da perspectiva profissional, não necessariamente significa que se espera piora, mas pode refletir um quadro de acomodação no mercado de trabalho.

Confira a análise econômica 

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