
Por Letícia Echer e Thiago Maurique
A Administração Municipal de Estrela busca recursos para recuperar um trecho crítico do talude às margens do Rio Taquari, na altura de Arroio do Ouro. O projeto contempla a restauração geotécnica e ambiental de um trecho de cerca de 260 metros. O objetivo é proteger cerca de mil hectares de áreas produtivas nas localidades de Arroio do Ouro e Figueira, severamente impactadas pelas cheias recentes.
Em agenda na Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) no início de abril, o vice-prefeito Márcio Mallmann apresentou o Projeto de Recuperação de Área Degradada do Arroio do Ouro e solicitou apoio técnico e financeiro para a execução. Segundo ele, a enchente histórica de 34 metros causou uma erosão acentuada, que removeu entre 1,5 e 2 metros da margem do rio em um trecho de 260 metros de extensão.
A maior preocupação da Administração Municipal é que, com a margem fragilizada, uma enchente de média de 27,5 metros já seria suficiente para invadir a área com forte correnteza e destruir o trabalho de drenagem já realizado. O objetivo é garantir que a água entre de forma lenta e controlada, preservando a infraestrutura agrícola.
A proposta técnica se baseia em soluções de engenharia natural, que combinam a reconfiguração do talude, a recomposição estrutural do solo e a revegetação com espécies nativas adaptadas ao ambiente fluvial. O projeto conta com o suporte técnico da Embrapa, que orienta sobre o uso de agroflorestas e espécies de árvores menores e mais resistentes, que não oferecem risco de queda e obstrução do leito em caso de novas cheias.
A Prefeitura já disponibilizou um rolo compactador. Agora, busca junto à Sema recursos para horas-máquina, especificamente um trator de esteira, para iniciar a primeira etapa da obra.
Mallmann ressalta que a intervenção é fundamental para dar segurança a cerca de 80 produtores da região. O vice-prefeito destaca que, mesmo em um local de risco, os produtores não conseguem deixar seu trabalho por questões financeiras. “Na agricultura, é preciso comprar o maquinário, tem financiamentos para pagar, tem que pagar com a produção. Por isso é tão importante manter a viabilidade dessas propriedades”, disse.
A maioria deles migrou da produção leiteira e de silagem para grãos. O mais produzido é o milho. “A colheita foi boa e isso só foi possível porque foram feitas valas para drenar a água”, ressalta o Mallmann.
A primeira etapa do projeto é deixar o terreno apto para receber o material. O Município já adquiriu a licença ambiental e apenas aguarda o recurso para iniciar.
Além da recuperação do talude, o vice-prefeito menciona esforços para obter licenças ambientais para a extrair cascalho em áreas como o Chá da Índia. O material é essencial para recuperar as estradas rurais utilizadas no escoamento da produção. “O Município não tem licença para retirar aqueles cascalhos há cerca de 15 anos, mas fomos bem recebidos e tivemos um aceno de que em breve vai se resolver essa questão”, salienta.
