Identificada no Brasil nova subvariante da Ômicron

A rede de saúde integrada Dasa informou a identificação do primeiro caso da subvariante Ômicron XBB.1.5 no Brasil em amostra coletada em novembro de 2022 de uma paciente do interior de São Paulo. O caso já foi comunicado ao Centro de Vigilância Sanitária paulista e a amostra se encontra no repositório mundial de sequenciamento. Nos Estados Unidos, a Kraken, como foi apelidada, está se expandindo rapidamente e já representa 40% dos casos de covid-19 no país.

Segundo a epidemiologista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, a subvariante XBB.1.5, que já está em 29 países, é a versão mais transmissível da covid-19 identificada no mundo até agora, podendo estar em circulação em outros locais sem ainda ter sido detectada. Porém, isso não significa que haverá mais ondas de óbitos, uma vez que as contramedidas continuam em funcionamento.

Conforme especialistas brasileiros, a XBB.1.5 parece também escapar parcialmente das defesas, mas ainda não há indicação de que seus sintomas causem mais gravidade do que os já conhecidos de outras subvariantes da Ômicron.

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Pesquisadores americanos avaliam que a Kraken pode ser mais difícil de neutralizar por anticorpos. Ela tem, segundo o virologista Fernando Spilki, uma mutação que proporciona maior escape imune, tanto da vacina como de infecções anteriores. O surgimento da Kraken coincide com o relaxamento da política de “covid zero” na China, o que aumentou de forma explosiva a quantidade de infecções no país.

Spilki comenta que, mesmo sem o surgimento da XBB.1.5, uma nova onda da covid no Brasil já estava prevista, principalmente devido às festas de final de ano e à chegada do verão.

Segundo a biomédica Mellanie Fontes-Dutra, dados preliminares sugerem que os anticorpos neutralizantes das vacinas atualizadas bivalentes são capazes de oferecer proteção maior contra as subvariantes circulantes da Ômicron, mesmo considerando um grande escape parcial das defesas. E os reforços de vacinas não atualizadas ainda seguem conferindo boa proteção contra a doença.

Por fim, especialistas destacam a necessidade da criação de uma cultura de higiene respiratória no Brasil, envolvendo o uso de máscara em locais fechados e em aglomerações. O mesmo vale para aqueles que apresentem qualquer sintoma respiratório, comorbidade, idosos e não vacinados.

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