A segunda edição da Corrida Movimento Pela Vida transformou o Centro Administrativo de Teutônia em ponto de encontro entre esporte, solidariedade e convivência neste domingo, 23 de agosto. Com largada às 8h30, no Pavilhão Multiuso da Prefeitura, o evento reuniu corredores de diferentes idades e cidades, além de familiares e apoiadores, em uma programação que teve como propósito ir além da competição. A iniciativa foi realizada em benefício da Liga do Câncer.
Para a organização, o resultado da corrida está tanto nas marcas alcançadas pelos atletas quanto nos vínculos criados durante e depois da prova. Conforme Silvana Maria Kolling, integrante da organização, o corredor raramente participa sozinho. Familiares acompanham, torcem e ajudam a transformar a corrida em uma experiência coletiva.
“É uma corrida que movimenta muito mais do que simplesmente o corredor. É a família toda”, destaca. Segundo ela, o momento após a chegada também integra a proposta. Muitos participantes permanecem no local para conversar, tomar chimarrão e compartilhar experiências.
O espírito de companheirismo também aparece entre os próprios competidores. Mesmo com a disputa pelas primeiras posições, prevalece o incentivo mútuo. “Na hora que tu está correndo, é olhar para o colega, dar um abraço e desejar boa sorte. Isso não tem preço”, afirma Silvana.
Vitória com propósito
Entre os destaques esportivos esteve Joselane Reis, vencedora da categoria feminina nos seis quilômetros. Ela completou o percurso em 25 minutos e 50 segundos e comemorou a conquista, mas também ressaltou o caráter solidário da iniciativa.
“É uma alegria estar aqui participando desse evento. A Liga do Câncer vai receber tudo isso e a gente só tem alegrias para compartilhar”, afirmou.
Para Joselane, correr também representa uma fonte diária de bem-estar. A atleta conta que o treinamento faz parte da rotina e influencia diretamente seu estado emocional. “O dia que eu não treino é um dia chato, um dia que não rende. Eu gosto de treinar, eu gosto de correr”, relata.
Voltar a correr para se sentir viva
Aos 60 anos, Luciane Oliveira encontrou na prova um significado ainda mais pessoal. Depois de passar um ano afastada das corridas em razão de uma lesão no joelho, ela voltou a participar de uma competição e concluiu os três quilômetros.
O retorno foi marcado por cansaço e emoção. Para Luciane, a experiência simboliza a necessidade de continuar avançando mesmo diante das dificuldades.
“A corrida faz a gente se sentir viva. Eu estou agora há um ano parada, porque fiz uma lesão no joelho. Essa é minha primeira corrida depois da lesão”, conta.
A atleta resume sua relação com o esporte como uma lição de persistência. Nem todos os dias são bons, explica, mas é preciso continuar tentando. “A gente tenta se superar, tenta ficar um pouco melhor do que a vez anterior. Nem sempre é possível, mas a vida é assim. A gente não pode parar.”
Mulheres que desafiam os limites
A corrida também revelou histórias de atletas que encontraram no esporte uma forma de manter a vitalidade e fortalecer amizades. Um grupo de cinco mulheres, muitas delas na chamada melhor idade, aproveitou a prova em Teutônia como preparação e integração antes de uma competição internacional no Uruguai.

Entre elas estavam as gêmeas Marisa e Marlisa, ambas com 57 anos, que se preparam para disputar uma meia maratona de 21 quilômetros em Punta del Este. Ronilda Ávila, de 73 anos, também integra o grupo. Maratonista e ultramaratonista, ela mantém os treinos e encara novos desafios.
Sheila Marisa Clabunde, de 54 anos, completa o grupo que se prepara para a primeira meia maratona internacional. A mais jovem entre elas, Elite Rex, de 56 anos, também mantém a rotina de corridas.
Para Marisa, a sensação provocada pela corrida resume a relação dessas atletas com o esporte: “O corpo cansado, mas a cabeça está ótima”.
Do Vale do Taquari à Grécia
Outro exemplo de superação esteve representado por Gilberto Ferreira, de 52 anos. O atleta se prepara para um dos maiores desafios de sua trajetória: a Spartathlon, ultramaratona de 246 quilômetros entre Atenas e Esparta, na Grécia.
A prova reúne cerca de 400 atletas de diferentes países e exige qualificação prévia. Segundo Gilberto, entre 45% e 50% dos participantes normalmente não conseguem completar o percurso.
Ele será o único representante do Sul do Brasil na edição deste ano e também o único atleta do Vale do Taquari na competição. A preparação é resultado de uma década dedicada à corrida.
“Comecei correndo um quilômetro, dois, três, até chegar onde chegamos hoje, realizando uma ultramaratona de 246 quilômetros lá na Grécia”, relata.
A expectativa para a viagem é, primeiro, completar a prova. Mais do que uma competição, Gilberto vê a oportunidade como uma forma de representar a região em um dos cenários históricos do atletismo de longa distância.
Organização mobiliza comunidade
Para que uma corrida aconteça com segurança, o trabalho começa muito antes da largada. Conforme Marisa Horst Bbrink, integrante da organização do Movimento Pela Vida, a realização envolve uma grande rede de pessoas.
Hidratação, frutas, organização do trajeto, atendimento aos atletas, apoio dos bombeiros, participação da Teutônia Futsal, patrocinadores e demais colaboradores fazem parte da estrutura necessária para a prova.
Ao avaliar a segunda edição, Marisa resume o sentimento em uma palavra: gratidão.
“Gratidão a cada um que veio, que se inscreveu, que correu, a cada um que nos apoiou, os patrocinadores, a cada um que nos ajudou. A corrida foi muito emocionante, muito linda”, afirma.
Para ela, a experiência não termina quando o corredor cruza a linha de chegada. O momento de convivência é parte essencial da proposta. “Para quem ainda não corre, venha correr e sentir o que é o pós-corrida: amizade, saúde, alegria e bem-estar.”
Com diferentes gerações compartilhando o mesmo percurso e histórias que vão de uma primeira corrida após uma lesão até a preparação para uma ultramaratona de 246 quilômetros, a segunda Corrida Movimento Pela Vida mostrou que o esporte pode ser também uma ferramenta de solidariedade, integração e superação. Em Teutônia, correr significou disputar, mas também incentivar, conviver e ajudar.
| Categoria | 1º lugar | 2º lugar | 3º lugar |
|---|---|---|---|
| 6 km – Feminino | Joselaine dos Reis | Raquel Carine Jahn | Caroline Konrad dos Santos |
| 6 km – Masculino | Geovane Krindges | Jorge Samuel Jantsch | Jean Rocha Cruz |
| 3 km – Feminino | Natália Bianca da Costa | Vanessa Gonçalves Mendes | Djeniffer Maldaner |
| 3 km – Masculino | Gustavo Schneider Rothmund | Matheus Bloemker Carvalho | Patrike Sulzbach |

