O Brasil de Marques de Souza começou a Série A do Regional da Aslivata 2026 com aproveitamento perfeito. Em três partidas, a equipe venceu Cruzeiro, Internacional e Poço das Antas, marcou 5 gols, sofreu apenas 1 e assumiu a liderança. O início confirma a proposta apresentada pela direção: montar um elenco competitivo, equilibrado e preparado para enfrentar uma das edições mais parelhas da competição.
Na avaliação do presidente Tiago Rother, o desempenho não surpreende, mas também não permite acomodação. O dirigente destaca que o Regional ganhou força recentemente e exige preparação. “É um campeonato muito equilibrado. Sabemos que não teve barbada em nenhum dos jogos”, resume.
A caminhada começou em 2 de agosto, com vitória por 1 a 0 sobre o Cruzeiro. Uma semana depois, o Brasil voltou para casa e repetiu o placar diante do Internacional. O terceiro compromisso trouxe um teste mais exigente. Em 16 de agosto, a equipe foi até Poço das Antas e venceu o atual vice-campeão por 3 a 1. No ano passado, Poço havia eliminado o Brasil nos pênaltis, nas quartas de final.
Desta vez, porém, o time de Marques de Souza mostrou uma característica que, segundo Tiago, foi trabalhada durante a preparação: a capacidade de competir fisicamente. “O Regional é muito técnico, mas também físico. Precisávamos encontrar esse equilíbrio”, afirma Rother.
Com 100% de aproveitamento, o Brasil chega à sequência da competição como uma das principais referências da Série A. A campanha, no entanto, é tratada internamente com cautela. Para ele, o desempenho na classificatória precisa servir como construção para o mata-mata.
Reforços e identidade
A diretoria apostou na manutenção da base de 2025, mas também buscou nomes para elevar o nível do grupo. Entre os reforços estão Mateusão, Zé Mateus, Poio e Márcio Jonathan, além de Felipe Guedes.
A montagem seguiu uma ideia defendida pelo presidente, não basta contratar jogadores conhecidos. Para vestir a camiseta do Brasil, é preciso estar alinhado ao perfil do clube. “É importante o atleta tenha um DNA vencedor para chegar ao clube”, destaca Tiago.
A intenção é formar um grupo capaz de suportar uma competição longa, marcada por cartões, lesões e mudanças de escalação. O dirigente também ressalta a necessidade de administrar o elenco com transparência, especialmente diante da necessidade de conciliar atletas experientes e jovens.
Nesse processo, o trabalho do técnico Sírio Pereira Duarte aparece como um dos pilares do projeto. Depois da eliminação de 2025, quando chegou a cogitar o encerramento do ciclo, o treinador decidiu permanecer.
A continuidade foi construída a partir da relação de confiança com a direção. Tiago conta que deixou claro ao treinador que a permanência dependia apenas de sua vontade. Pouco tempo depois, o acordo para seguir no comando estava encaminhado. “Eu e o Sírio temos pensamentos parecido. O que eu fizer, ele assina embaixo; o que ele fizer, eu assino embaixo”, relata.
Aspirantes
O bom momento não se limita à equipe Principal. Atual campeão dos Aspirantes, o Brasil também mantém uma campanha competitiva no segundo quadro e trabalha para que as duas categorias estejam integradas.
O técnico Alan segue à frente, com liberdade para conduzir a montagem da equipe. Para a direção, não existe dvisão entre as categorias. A ideia é tratar o clube como um único projeto. “A camiseta é a mesma. Tentamos deixar isso o mais igual possível para ter uma sintonia boa”, explica.
A filosofia também abre espaço para que jogadores mais jovens possam ser aproveitados no Principal quando houver necessidade.
Comunidade e reconstrução
Outro diferencial do Brasil está fora de campo. A mobilização de Marques de Souza acompanha o desempenho da equipe e se tornou parte importante da identidade do clube.
Em casa, a torcida costuma lotar o entorno do campo e acompanhar de perto cada partida. Na vitória sobre o Internacional, a direção contabilizou cerca de 800 pessoas.
A presença também aparece nos jogos fora de casa. Mesmo na partida contra o Poço das Antas, em um confronto menos decisivo do que o mata-mata da temporada anterior, o Brasil teve apoio significativo.
Para Tiago, esse envolvimento é consequência da relação construída entre clube, equipe e comunidade. “As pessoas respiram futebol em Marques. Domingo de jogo do Brasil é diferente”, comenta.
A identidade do clube ganhou mais significado depois das enchentes que atingiram a região. O Brasil sofreu danos e precisou mobilizar a comunidade para recuperar sua estrutura.
Hoje, o presidente trata a reconstrução como um exemplo da capacidade de reação da instituição. “Sofremos muito, mas, se você passar aqui no Brasil e olhar para o campo, parece que não teve enchente alguma”, aponta.
A recuperação da sede e do campo é lembrada como parte de uma história recente que reforçou os vínculos entre clube e comunidade. Para a direção, a mesma união que ajudou a reconstruir o patrimônio agora impulsiona o time no Regional.
Sequência
Depois das três vitórias, o Brasil encara o Minuano, em Marques de Souza. Na sequência, enfrenta o Juventude de Guaporé, antes de fechar a primeira fase contra o Tiradentes, em casa.
São confrontos que devem colocar a campanha à prova. O Tiradentes, em especial, aparece como um dos duelos mais aguardados, diante da força do elenco e da expectativa de grande presença de público.
Mesmo com a liderança e desempenho perfeito, Tiago evita transformar o início em euforia. A direção sabe que o campeonato está no começo e que o verdadeiro desafio será a eliminatória. “Não adianta ganhar tudo agora e cair no primeiro mata-mata. Precisamos manter os pés no chão”, destaca.
A meta, entretanto, está definida. Tricampeão Regional, o Brasil entra em 2026 com a expectativa de conquistar o quarto título. O presidente não esconde a ambição, mas reforça que ela vem acompanhada de respeito aos adversários. “Vamos entrar para ganhar e conquistar o título. Lutaremos por isso, sempre com respeito para todas as equipes”, completa Tiago.

Crédito: Jonathan Rocha / Divulgação

