Mateus Trojan quer representar o Vale como deputado estadual

Prefeito de Muçum, Mateus Giovanoni Trojan foi eleito gestor do município pela primeira vez com apenas 26 anos de idade. Em sua reeleição, em outubro de 2023, fez 80,82% dos votos válidos. Técnico em Eletricidade, Eletrônica e Telecomunicações, Trojan também foi vereador do município. O foco do administrador após as tragédias de 2023 e 2024 tem sido a reconstrução da cidade, incluindo a elaboração de um novo Plano Diretor. Depois de 6 anos à frente do Executivo, ele deve deixar o cargo até abril deste ano para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa do RS nas eleições de 2026.

Grupo Popular – Como foi construída a sua pré-candidatura dentro do MDB e junto à comunidade regional?

Mateus Trojan –Essa construção vem de uma relação próxima com a cúpula estadual do partido e lideranças regionais, mas se tornou evidente durante as crises de 2023 e 2024. A visibilidade que tivemos na gestão das enchentes foi um marco. Percebemos o quanto nos faz falta ter representatividade na Assembleia e na Câmara dos Deputados. Nos momentos mais complexos, sentimos a ausência de alguém que pudesse lutar por nós. Após ser reconduzido à prefeitura com 81% dos votos válidos em 2024, o que comprovou nossa capacidade de resposta a crises, passamos a tratar esse projeto com mais seriedade, incentivados por lideranças e empresários.

GP – Como está lidando com a decisão de deixar o cargo para o qual a população o elegeu?

Trojan – Confesso que é algo que dói, pelo sentimento de pertencimento e pelo trabalho que desenvolvemos. No entanto, defendo que não podemos nos perpetuar nos cargos; os ciclos precisam se encerrar para oxigenar as estruturas administrativas. Sinto-me seguro porque tenho um vice-prefeito, o Amarildo, que está entrosado nas ações e preparado para seguir com os projetos. A equipe está estruturada e os recursos para as obras essenciais de reconstrução e realocação urbana de Muçum já foram captados.

GP – O Vale tem histórico de não eleger representantes pela fragmentação de votos entre muitos candidatos. O que muda nesta eleição?

Trojan – Concordo que as disputas internas nos prejudicam, mas vejo fatores diferentes agora. Primeiro, há uma consciência maior da necessidade de termos alguém daqui, pois sentimos as dores das tragédias de forma intensa. Segundo, o número de pré-candidatos diminuiu drasticamente: em 2022 eram 19 com domicílio no Vale; hoje, a projeção é que fiquemos entre sete e 10. Além disso, acredito na nossa viabilidade eleitoral porque conseguimos “estourar a bolha” partidária, criando relações não só no Vale, mas também na Serra Gaúcha e no Planalto.

GP – Como vê a dupla candidatura de membros do MDB da região à Assembleia Legislativa?

Trojan – É ruim, atrapalha, mas a gente não pode baixar a cabeça e desanimar. Temos que ter propósito, convicção em cima do projeto que estamos desenvolvendo, das pessoas que estão junto conosco. É seguir em frente sem desanimar.

GP – Quais serão as suas principais bandeiras caso obtenha êxito?

Trojan –O foco central é o processo de reconstrução. Temos muitos recursos captados que dependem de execução e debates estruturais sobre a resiliência das cidades para enfrentar novos eventos extremos. Outro ponto essencial é garantir que ninguém fique para trás nos programas habitacionais de realocação de áreas de risco. Além disso, a logística é uma prioridade; a questão das concessões de rodovias é um “espinho” que prejudica nossa competitividade. Queremos que o Vale do Taquari, que tem uma economia diversificada e forte, receba investimentos do Estado e da União na mesma proporção do retorno que oferece.

GP – O senhor se sente preparado para esse novo desafio no Legislativo?

Trojan –Sim. Fui provado e testado na gestão pública em momentos de dor extrema, como gestor e como cidadão. Temos um propósito claro e convicção no projeto. Não é apenas sobre ganhar uma eleição, é sobre saber que temos um projeto positivo para a sociedade na qual estamos inseridos.

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