Investigações sobre crise da cooperativa Languiru avançam no Ministério Público

Ex-conselheiros fiscais foram intimados a depor com base em apontamentos da auditoria independente, que identificou falhas graves de gestão

A crise financeira da Cooperativa Languiru, que levou a entidade a um endividamento superior a R$ 1 bilhão e culminou na liquidação extrajudicial, entrou em uma nova etapa de investigação. Um dos desdobramentos mais recentes do caso ocorreu com a intimação de dois ex-conselheiros fiscais da cooperativa para prestar depoimento.

O relatório da auditoria independente contratada pela atual gestão embasa apurações conduzidas pelo Ministério Público (MP), com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Polícia Federal.

O documento elaborado pela empresa Dickel & Maffi – Auditoria e Consultoria analisou a condução administrativa da cooperativa entre os anos de 2018 e 2022, período em que foram tomadas decisões apontadas como determinantes para o agravamento da crise financeira da entidade.

Segundo o superintendente Administrativo, Comercial e Financeiro da Cooperativa Languiru, Gustavo Marques, a única informação oficial disponível é de que o relatório da auditoria investigativa foi encaminhado ao Gaeco no fim de 2024.

Conforme ele, a direção tomou conhecimento das informações divulgadas publicamente a partir de manifestações do Ministério Público, mas sustenta que, até o momento, não existe um processo formalizado relacionado ao caso.

Marques destaca ainda que a cooperativa optou institucionalmente por não ampliar a repercussão do tema neste momento, por não possuir novas informações sobre o andamento das apurações. “Fizemos nossas considerações na época da entrega do relatório e nas assembleias ordinárias com os associados”, reforça.

Apontamentos da auditoria

A auditoria investigativa começou em setembro de 2023 e levou cerca de 1 ano para ser concluída. O relatório final possui 73 páginas e foi entregue oficialmente à cooperativa no fim de outubro do ano passado.

Além da análise documental e financeira, o trabalho reuniu entrevistas com pessoas que contribuíram voluntariamente com informações sobre a condução administrativa da cooperativa no período auditado.

Entre os principais pontos analisados estiveram investimentos realizados no período, operações financeiras, empréstimos e financiamentos, movimentações relacionadas a produtores e diretores, além da leitura de atas de conselhos e assembleias. Também foram revisadas contas vinculadas a produtores e ex-dirigentes da cooperativa.

Conforme divulgado pela Languiru em comunicados institucionais, a auditoria identificou falhas administrativas consideradas graves. Entre elas estão a ausência de controles financeiros em áreas estratégicas e inconsistências entre números apresentados oficialmente e a situação financeira efetivamente enfrentada pela entidade.

O relatório também aponta situações relacionadas a contratos, operações financeiras e validações de informações envolvendo terceiros ligados às atividades da cooperativa. Até o momento, contudo, não há confirmação oficial sobre eventuais indiciamentos ou responsabilizações.

Crise da cooperativa

A crise da Languiru veio à tona no começo de 2023, quando se identificou um passivo bilionário e dificuldades severas de fluxo de caixa. Na época, conforme declarações da direção, a cooperativa precisaria gerar cerca de R$ 2 milhões por dia apenas para manter operações ligadas às cadeias de aves e suínos.

Com troca de gestão, a nova administração adotou medidas voltadas à recuperação operacional e financeira da cooperativa, mantendo atividades em funcionamento durante o processo de liquidação extrajudicial em continuidade operacional. A estratégia busca preservar empregos, produtores integrados e a continuidade das operações enquanto ocorre a reestruturação financeira da entidade.

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