Sítio das Caturritas colhe 4 toneladas de olivas e registra melhor safra em 13 anos

Classificação de alta qualidade do azeite emitida por técnicos dá ânimo para a família após uma década de esforço

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Colaboradores são treinados para não prejudicar as árvores e garantir a qualidade da fruta / Crédito: Luis Augusto Huppes

A produção de olivas no Rio Grande do Sul ainda possui desafios que vão do excesso de umidade ao calor intenso, anomalias climáticas e oscilações bruscas. Diferente de regiões tradicionalmente produtoras, o cultivo aqui exige adaptação, cuidados e paciência para lidar com anos de baixa produtividade.

A situação não é diferente para o Sítio das Caturritas, em Boa Vista Fundos, Teutônia. Este é considerado o ano de melhor safra desde o início do cultivo de oliveiras, há 13 anos. A colheita foi concluída na semana passada e rendeu 4 toneladas de olivas, volume recorde para a propriedade, que reúne aproximadamente 1.360 árvores distribuídas em 4 hectares.

Segundo o proprietário Marco Antônio Fontana, o desempenho surpreendeu, especialmente após um 2025 marcado por perdas causadas por vendavais e baixa frutificação. “No ano passado não colhemos praticamente nada. Foi um período muito difícil e até cogitamos encerrar a atividade. Agora, o cenário mudou completamente”, relata.

Fontana explica que a safra era promissora ainda na fase de floração, período em que a árvore desperta após o inverno e desenvolve pequenas flores brancas, o que inicia o ciclo reprodutivo que resulta nas azeitonas.

Entre as três principais variedades cultivadas no Sítio, foi a Arbequina que apresentou melhor adaptação ao clima da região. “Ela se desenvolveu melhor, garantiu volume e manteve qualidade para o azeite”, destaca Marco Antônio.

A alternância entre sol e chuva contribuiu para o crescimento dos frutos, mas o calor intenso superior a 40 ºC acelerou o amadurecimento. “Com esse calor, a fruta amadurece demais em 3 ou 4 dias. Para o azeite extravirgem, optamos em colher com predominância de fruto verde, cerca de 80% verde e 20% maduro. É isso que preserva e garante qualidade”, explica Marco.

Sua esposa, Vera Fontana, recorda momentos de dificuldade em relação às temperaturas e sol forte. “Houve dias em que as azeitonas caíam na lona e praticamente cozinhavam com o calor. Tivemos que parar, até pelo bem-estar do pessoal”, relata ela.

Colheita e cuidados

A colheita foi realizada majoritariamente de forma manual e envolveu 15 pessoas, entre familiares, funcionários fixos e trabalhadores contratados temporários, para garantir o cuidado no manejo. “Se tirada de qualquer jeito, a fruta racha ou sofre impacto, o que prejudica o azeite. Por isso, há um processo de orientação antes da colheita. Treinamos o pessoal e explicamos como agir”, aponta Vera.

O processamento ocorre poucas horas após a colheita para garantir a classificação extravirgem. Neste ano, a extração foi feita em um lagar (local adequado para a produção) na região de Triunfo, o que reduziu o tempo de transporte em comparação a colheitas anteriores. “É preciso processar em menos de 12h. Quanto mais fresca a fruta, melhor a qualidade do produto no fim”, comenta Marco.

A avaliação técnica animou a família neste ano. De acordo com Vera, especialistas que analisaram o produto classificaram o azeite como de alta qualidade. “Se quiséssemos concorrer, certamente estaríamos entre os mais premiados”, afirma.

Longo prazo e comercial

O projeto acumula investimentos estimados em R$ 3 milhões ao longo dos 13 anos de produção, custos que incluem aquisição de mudas, assistência técnica e estrutura de manejo. Parte das primeiras mudas foi adquirida junto à Embrapa, e posteriormente a família buscou novos fornecedores para aprimorar o desenvolvimento das plantas.

Recentemente, o Sítio reduziu o número de árvores para melhorar a incidência de luz solar, estratégia recomendada por especialistas. “Nos sugeriram retirar algumas plantas para dar mais espaço e ter presença do sol. Funcionou: a produção dobrou em comparação a 2023, que beirou em 2 toneladas”, afirma.

Mesmo com a possibilidade de crescer, Vera explica que a decisão de remover as plantas não foi simples. “É muito difícil tirar uma árvore que você viu e fez crescer, mas entendemos que qualidade também depende de manejo e agora vemos que foi a escolha certa”, avalia ela.

O azeite é comercializado sob o nome “Colinas da Caturrita”, principalmente para consumidores que já conhecem o produto e são mais próximos da família. A produção ainda não é suficiente para abastecer redes varejistas, e o valor de mercado para azeites de alta qualidade, segundo os proprietários, ultrapassa R$ 60 para embalagens de 250 mililitros.

Além do azeite, o Sítio também comercializa oliveiras adultas. A venda de cerca de 60 árvores foi o que ajudou a sustentar a propriedade em 2025.

Ano decisivo

Para o casal, o resultado é um divisor de águas para a propriedade, especialmente pela desmotivação com as questões climáticas, que atrapalharam as safras anteriores. “Foram muitos anos de aprendizado, enfrentamos clima adverso, solo e adaptação das variedades. Essa colheita nos dá fôlego para seguir em frente e até investir”, avaliam Vera e Marco Antônio.

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