Líderes políticos, empresariais e institucionais defenderam nesta sexta-feira (12/8), em Estrela, uma atuação conjunta para enfrentar gargalos históricos e ampliar a competitividade do Vale do Taquari. As discussões fizeram parte do Fórum de Competitividade, que reuniu representantes do governo estadual, prefeitos, empresários e entidades regionais para discutir temas como logística, crédito, desenvolvimento econômico e formação de mão de obra.
Na abertura do evento, a prefeita de Estrela, Carine Schwingel, destacou a necessidade de tratar os desafios de forma integrada. Segundo ela, infraestrutura, desenvolvimento empresarial e qualificação profissional precisam avançar simultaneamente para sustentar o crescimento regional. “Não adianta a gente ter condições de transporte e uma estrutura logística boa se não tivermos empresas fortes e trabalhadores”, afirmou.
Carine também destacou as discussões sobre a destinação dos recursos inicialmente vinculados ao projeto de concessão do Bloco 2 de rodovias, após o leilão não ter interessados. “Ontem, na reunião da Associação de Municípios do Vale do Taquari (Amvat), estávamos discutindo o que a região vai solicitar ao Estado em relação àquele Bloco 2. Temos uma grande expectativa de como vai ser utilizado esse recurso”, reforçou.
Ao longo da programação, os debates convergiram para a necessidade de fortalecer a infraestrutura, ampliar o acesso a investimentos e preparar mão de obra qualificada para sustentar o desenvolvimento econômico do Vale do Taquari nos próximos anos.
Infraestrutura pós-enchentes
A reconstrução da infraestrutura regional após as enchentes e os desafios da logística gaúcha pautaram o primeiro painel do Fórum de Competitividade. O debate reuniu o diretor da Rhodoss Implementos Rodoviários e da Dinna Indústria, Comércio e Serviços, Nilton Scapin, e o presidente da Cooperativa de Transportes do Vale do Taquari, Adelar Steffler, com mediação do diretor da Tomasi Logística, Diego Tomasi. Os participantes defenderam investimentos estruturantes e uma revisão da forma como o Estado planeja suas obras de infraestrutura e transporte.
Nilton Scapin afirmou que os eventos climáticos extremos alteraram definitivamente as exigências de infraestrutura da região. Para ele, a reconstrução não pode se limitar à reposição do que foi perdido, mas precisa incorporar soluções capazes de suportar cenários mais severos. “Precisamos reconstruir de forma muito melhor”, afirmou.
Segundo Scapin, a região precisa investir em pontes mais robustas, estruturas elevadas e sistemas de prevenção capazes de minimizar impactos futuros: “Erro de planejamento em área alagável gera gasto duas, três vezes maior.”
A discussão foi ampliada por Steffler, que apontou gargalos históricos da logística gaúcha. Segundo ele, o Rio Grande do Sul perdeu competitividade ao não avançar na integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias, modelo já adotado por outros estados brasileiros. “A competitividade depende de infraestrutura diversificada”, afirmou o presidente.
União e acesso ao crédito
O segundo painel do Fórum de Competitividade reuniu o presidente da CIC Vale do Taquari, Angelo Fontana, e o presidente do Badesul, Robson Ferreira, com mediação do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Leandro Evoldt. Eles debateram mecanismos para ampliar investimentos, fortalecer a competitividade regional e criar condições para acelerar o desenvolvimento econômico do Vale.
Ferreira destacou a capacidade produtiva da região e afirmou que o Vale reúne indicadores que o colocam entre os polos econômicos mais promissores do estado. Segundo ele, o Banco de Desenvolvimento mantém aproximadamente R$ 120 milhões em carteira ativa na região e pretende ampliar a participação em novos projetos.
Fontana destacou a importância da infraestrutura para sustentar novos investimentos e lembrou que a região concentra um dos principais corredores logísticos do Rio Grande do Sul. Ele ressaltou a força da matriz industrial regional e a capacidade de recuperação das empresas após as enchentes.
Também, alertou para desafios enfrentados pelo setor produtivo, como o custo do crédito, a carga tributária e as incertezas econômicas. “Não é um governo, não é um empresário e não é uma entidade que vai dar a virada de chave. Nós precisamos ter muita união”, afirmou.
Futuro do Trabalho
O terceiro painel reuniu a vice-reitora da Univates, Cintia Agostini, e o diretor de Atração de Investimentos e Promoção Comercial da Invest RS, Fabricio Forest, com mediação do CEO do Transforma RS, Ronald Krummenauer. O debate abordou os desafios relacionados à formação de mão de obra, às transformações demográficas e à capacidade da região de atrair investimentos em um cenário de rápidas mudanças no mercado de trabalho.

Último painel do evento debateu a necessidade de preparar a região para as transformações do mercado de trabalho / Crédito: Thiago Maurique
Cintia destacou que a região convive com mudanças aceleradas no mercado de trabalho, o que exige adaptação constante de empresas, instituições de ensino e poder público. “A qualificação profissional passa a ser um fator decisivo para sustentar o desenvolvimento econômico”, sentenciou ela.
Durante a apresentação, a vice-reitora trouxe dados sobre empregabilidade, renda, escolaridade e perfil demográfico. Entre os desafios apontados estão a evasão escolar, a baixa continuidade dos estudos após o Ensino Médio e a necessidade de aproximar a formação profissional das demandas do mercado.
A vice-reitora também chamou atenção para a necessidade de ampliar a renda e criar perspectivas para que os jovens permaneçam estudando e se qualificando. Para ela, o desenvolvimento regional dependerá cada vez mais da capacidade de formar talentos e criar oportunidades compatíveis com as novas expectativas das gerações que estão ingressando no mercado de trabalho.

