A crescente quantidade de animais abandonados tem preocupado a Associação Protetora dos Animais de Teutônia (Apante). A entidade registra um aumento significativo nos pedidos de resgate de cães e gatos em situação de abandono, especialmente de animais feridos ou que necessitam de atendimento veterinário imediato.
Diante da alta demanda, a prioridade da associação tem sido prestar auxílio aos casos mais graves, já que o espaço físico e os recursos financeiros disponíveis não são suficientes para acolher todos os animais. “A situação no nosso município está crítica”, afirma a auxiliar administrativa da Apante, Rosângela Inês Roehrig.
Além dos resgates, a permanência prolongada de muitos animais em clínicas veterinárias em razão do estado debilitado em que são encontrados também eleva os custos enfrentados pela entidade. Atualmente, o abrigo mantém quase 90 animais, número que aumentou recentemente com a chegada de diversas ninhadas.
Para a Apante, a situação evidencia a necessidade de ampliar o trabalho de conscientização da população sobre a guarda responsável. A entidade reforça que animais não podem ser tratados como objetos descartáveis e destaca a importância da castração como principal forma de reduzir o abandono e a reprodução descontrolada.
“A castração é a principal forma de diminuir significativamente o número de animais que acabam nas ruas”, ressalta Rosângela. O município oferece um programa de castração gratuita para famílias inscritas no Cadastro Único, enquanto a Apante disponibiliza castrações a baixo custo para quem não se enquadra no benefício. As clínicas parceiras ainda possibilitam o parcelamento do procedimento, em busca de facilitar o acesso ao serviço.
Outro problema recorrente enfrentado pela Associação são os pedidos de pessoas que precisam se mudar para imóveis onde não é permitida a permanência de animais. Nessas situações, a entidade orienta os tutores a buscarem familiares, amigos ou adoção responsável, já que o abrigo não possui condições de receber todos. “Doar um animal para um abrigo nunca é a situação ideal. O que nós queremos é que todos tenham um lar”, destaca ela.
Realidade dos resgates
A entidade também observa que os casos de atropelamentos aumentam durante o inverno, favorecidos pela baixa visibilidade causada pela neblina. Os atendimentos a animais feridos exigem mobilização constante dos voluntários, que conciliam o trabalho na Associação com suas atividades profissionais e pessoais para realizar resgates em qualquer horário.
A vice-presidente da Apante, Ivandra Fátima Reichenbach Rodrigues, relata o impacto emocional da convivência com a realidade enfrentada pelos animais acolhidos: “Quando comecei a frequentar o abrigo, não teve uma vez que saí de lá sem chorar.” Segundo ela, apesar dos cuidados recebidos, muitos animais permanecem por longos períodos à espera de uma família.
Além do impacto na proteção animal, a Apante lembra que o abandono representa uma questão de saúde pública. Animais em situação de rua frequentemente buscam alimento em lixeiras, espalham resíduos e aumentam os riscos sanitários.
Em relação às denúncias de maus-tratos e abandono, a Associação orienta que a população utilize os canais oficiais da Prefeitura de Teutônia. A fiscalização municipal é responsável por realizar as vistorias e, quando necessário, aciona a Apante para o acolhimento dos animais. A entidade destaca que não possui poder de fiscalização ou autoridade para intervir diretamente em denúncias.
“Quando deixamos de denunciar um abandono, acabamos permitindo que esse ciclo continue”, alerta Rosângela. Ela reforça a importância da participação da comunidade para combater os maus-tratos e responsabilizar quem abandona animais.
Segundo a Associação, a fiscalização também desempenha um importante papel de orientação às famílias, pois auxilia em situações de vulnerabilidade social por meio de encaminhamentos para castração, vacinação, vermifugação e outros cuidados, sempre em busca de manter os animais junto aos seus tutores quando possível.
Protetores Mirins
A conscientização das novas gerações segue sendo uma das principais frentes de atuação da Apante. O projeto Protetores Mirins terá nova edição no segundo semestre, com atividades previstas para iniciar em agosto nas escolas do município. A iniciativa busca ensinar às crianças valores como respeito, cuidado e responsabilidade com os animais, independentemente de possuírem ou não um animal de estimação em casa.
Como ajudar a Apante
Para manter o trabalho, a Apante recebe doações financeiras por meio do PIX, através do CNPJ 07.910.965/0001-60, além de contribuições de ração, medicamentos, vacinas, cobertas, madeira, telas e outros materiais utilizados na manutenção e ampliação do abrigo.
A entidade também lançou um programa de apadrinhamento afetivo, que permite a contribuição mensal a um dos animais acolhidos e acompanhamento de sua trajetória até a adoção.
Quem desejar colaborar ou agendar uma visita ao abrigo pode entrar em contato pelo WhatsApp (51) 99918-8199. A Associação reforça que conhecer o trabalho desenvolvido e os animais acolhidos também é uma forma de incentivar a adoção responsável e fortalecer a causa animal no município.

