Meteorologista do NIH da Univates apresenta previsões para este verão

Em entrevista ao Espaço Aberto desta sexta-feira, a meteorologista Maria Angélica Cardoso, do Núcleo de Informações Hidrometeorológicas da Univates, apresentou as projeções para o verão, que deve ser de chuvas irregulares na região e temperaturas acima da normal climática.

Conforme Maria Angélica, a atuação do fenômeno La Niña já vem apresentando características de enfraquecimento, mas segue até o fim do verão, quando as águas devem se aquecer e o clima se estabilizar, ou seja, não sofrer interferência deste fenômeno climático nem do El Niño.

Com a influência do fenômeno, as frentes frias passam mais rápido e as chuvas são mais esparsas, com volumes menores e irregulares. Ocorre o resfriamento no pacífico equatorial, afetando não só o RS mas o mundo inteiro, e o impacto é melhor visualizado na primavera e no início do verão.

Agricultura

Os modelos apresentados por Maria Angélica indicam que não há previsão de chuva até o dia 31 de dezembro, e que em janeiro e fevereiro as mesmas devem ficar ligeiramente abaixo da normal climática.

A meteorologista alerta para temperaturas acima da média e ventos que podem influenciar a evapotranspiração, acarretando prejuízo para a agricultura, principalmente para aqueles que não possuem sistema de irrigação ou água armazenada.

“Sabemos que de setembro a novembro o armazenamento não foi tão efetivo, visto o déficit de 345,9mm de chuvas. Ainda, há locais onde não é possível recuperar esse volume com as chuvas na média – precisaria chover mais para que o abastecimento fosse efetivo”, cita a profissional.

Em dezembro, a precipitação ficou em 136,4mm, um déficit de 12mm em relação à média. Em janeiro e fevereiro deve chover, mas também ficará ligeiramente abaixo da normal climática. “A partir dessa irregularidade, municípios ao norte do Vale do Taquari têm possibilidade de alcançar a média”, comenta.

Próximos dias

Para este sábado (31/12) e domingo (1º/1), as temperaturas ficarão próximas aos 40 graus.

A segunda deverá ser de chuva, e o restante da semana será de temperaturas altas. “Não tendo nuvens e ventos calmos pela manhã, as temperaturas começam amenas, mas aumentam rapidamente, causando grande amplitude térmica”, comenta Maria Angélica.

Segundo a meteorologista, as ondas de calor, caracterizadas por 3 a 4 dias consecutivos de fortes temperaturas, baixa precipitação e umidade relativa do ar, serão mais curtas do que no verão passado. Apesar de ondas previstas para janeiro, tradicionalmente fevereiro não é tão quente como o primeiro mês do ano.

Radiação

Conforme a normalidade, os maiores níveis de radiação são registrados no verão, o que exige reforço no cuidado durante a exposição ao sol, principalmente por pessoas com pele mais clara. “Na agricultura se sabe que os altos índices beneficiam algumas culturas. Porém, ela normalmente é prejudicial para nós se aliada à baixa umidade do ar, podendo provocar problemas respiratórios para quem tem tendência e causar falta de hidratação e queda de pressão para aqueles que realizam exercício físico, principalmente entre as 14h e 15h30”, comenta.

Confira a entrevista completa:

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