A citricultura ganha espaço no Vale do Taquari como uma alternativa de diversificação para a agricultura familiar. Com destaque para os municípios de Arvorezinha, Anta Gorda e Roca Sales, a atividade apresenta crescimento contínuo, especialmente no cultivo de laranjas destinadas à indústria de sucos.
A expansão da cultura está associada à possibilidade de geração de renda em pequenas propriedades, à menor demanda por mão de obra ao longo do ano e à capacidade de integração com outras atividades agropecuárias.
De acordo com o coordenador do escritório regional da Emater-RS/Ascar, Cristiano Laste, o principal destaque regional é a produção de laranja da cultivar Valência. Atualmente, o Vale do Taquari possui 1.052 hectares cadastrados com laranja, além de 127 hectares de bergamota e apenas 6 hectares de limão Taiti.
Conforme a Emater, a citricultura regional ganhou impulso a partir da década de 1990, quando Arvorezinha implantou um programa de incentivo à atividade. No primeiro ano foram plantados cerca de 50 hectares. Ao longo das duas décadas seguintes, a expansão foi expressiva, alcançando aproximadamente 700 hectares cultivados no município em 2025.
Segundo Laste, a atividade se mostra estratégica para propriedades familiares por exigir áreas relativamente reduzidas para alcançar viabilidade econômica. Além disso, a necessidade de mão de obra concentra-se no período de colheita, o que permite que os agricultores conciliem a citricultura com outras atividades produtivas.
Outro diferencial é a flexibilidade no momento da comercialização. “As laranjas e as bergamotas não exigem colheita em um período muito curto, como acontece com o pêssego ou a uva. Com o manejo adequado é possível retardar a colheita e buscar melhores preços de mercado”, explica.

Ecocitrus transforma a produção de 120 famílias em suco e óleos essenciais vendidos para todo o Brasil e diferentes países / Crédito: Divulgação
Exemplo cooperativo
A experiência do produtor Adilson Schulz ajuda a compreender os caminhos encontrados pelos produtores para tornar a citricultura economicamente sustentável. Morador da localidade de Linha São João, em Salvador do Sul, ele adquiriu a propriedade em 2011, após atuar durante anos como professor.
Ao assumir a área, a família encontrou uma pequena plantação de citrus e decidiu ampliar gradativamente os cultivos. A opção pela produção orgânica foi motivada pela busca de um sistema alinhado aos princípios ambientais e consolidada pela proximidade com a Cooperativa Ecocitrus, de Montenegro.
“Nos aproximamos da cooperativa, que reúne 120 famílias. Nos tornamos sócios e passamos a contar com assistência técnica, certificação e adubação feitas coletivamente”, relata Schulz.
Segundo ele, o modelo cooperativo é determinante para garantir a rentabilidade da atividade. Toda a produção é destinada ao processamento industrial e se transforma em sucos integrais, concentrados e óleos essenciais. “Na cooperativa, 100% da fruta é aproveitada. Laranja, limão e bergamota viram suco”, explica.
Além da industrialização, a estrutura da cooperativa permite armazenamento e comercialização ao longo do ano. Além do mercado nacional, a Ecocitrus exporta seus produtos para Alemanha, França, Holanda, Reino Unido, Estados Unidos, Bélgica, República Tcheca e Chile, entre outros países. “O grande diferencial está na segurança comercial proporcionada pelo sistema coletivo”, acredita o produtor.
Vantagem competitiva
A produção orgânica representa uma vantagem competitiva no mercado global, mas envolve exigências rigorosas. Conforme Schulz, as propriedades integrantes do sistema devem permanecer livres de fertilizantes químicos e agrotóxicos por décadas. Também passam por monitoramentos frequentes relacionados ao solo, recursos hídricos, áreas de preservação e bem-estar animal.
Para ele, quem escolhe produzir organicamente precisa entender que assume um compromisso com a preservação ambiental. “É bastante rigoroso, mas esse é justamente o diferencial que agrega valor ao produto e atende um número cada vez maior de consumidores”, afirma.
Além da certeza de colaborar com o futuro do planeta, a vantagem competitiva da produção orgânica, apoiada pelo sistema cooperativo, garante a venda de toda a produção. “Se eu tivesse três ou quatro vezes mais produção, a cooperativa também absorveria, porque existe demanda para esse padrão de produto”, destaca Schulz.

