Para Maria Lúcia Griebeler, alta performance passa pela equalização de prioridades

Mentora de líderes e consultora na área de gestão de pessoas, a psicóloga de alta performance Maria Lúcia Griebeler compartilhou sua jornada no programa Empreendedoras em Ação dessa quinta-feira (25/9), desde a construção da sua carreira até os desafios de equalizar as demandas profissionais e familiares. Com 18 anos de experiência no mercado, Maria Lúcia já impactou mais de 10 mil profissionais e atendeu 230 empresas com seu modelo de atuação. Para ela, um verdadeiro líder está em constante desenvolvimento.

A escolha pela Psicologia parece ter sido um movimento quase intuitivo para você.

Exato. Eu diria que “caí de paraquedas” na Psicologia, mas o objetivo de ajudar as pessoas a se relacionarem melhor já era muito claro. Desde a época de escola, no interior, eu tinha um espírito de liderança e gostava de mediar conflitos entre a turma. A Psicologia me deu as ferramentas para fazer isso de forma mais efetiva. Esse caminho rapidamente se voltou para o lado empresarial e organizacional, saindo do modelo tradicional de consultório.

O que motivou essa transição, que parece ter sido mais dinâmica?

Eu cresci no comércio, em um ambiente de negócios onde havia relações de trabalho e gestão. Além disso, a psicologia clínica era muito solitária para mim. Eu gosto da movimentação com pessoas, de interagir. O lado empresarial e o trabalho de mentoria e consultoria proporcionam essa dinâmica, permitindo provocar reflexões, e não apenas questionar. Trago um foco muito forte em resultados, pois lucro é necessário para a sustentabilidade e crescimento de um negócio, além de um retorno de um trabalho bem-feito.

Como você administra as expectativas de ser mãe, esposa, profissional e amiga?

Não dá para dar conta de tudo. Meu movimento é de equalizar, e não equilibrar. No equilíbrio, tentamos administrar todos os pratinhos ao mesmo tempo, mas isso gera uma carga mental alta. Na equalização, eu administro as caixinhas de som: em alguns momentos, a caixinha profissional está no “todo vapor” (prioridade) e as outras estão mais baixas. O fundamental é ter clareza sobre o que se escolhe e o que se abre mão, pois quem tem o DNA de fazer acontecer quer fazer tudo.

Como você conduz o dia a dia com suas filhas e com seu marido?

A parceria com o Vicente é importantíssima; é o fator mais crucial entre nós. Estamos juntos em sonhos, projetos e até nos perrengues. Com as meninas, o convívio exige diálogo e negociação. Além disso, para darmos conta dos compromissos, a rede de suporte é fundamental. E o mais importante: é preciso pedir ajuda e aceitar essa ajuda. Não podemos esperar que o outro adivinhe que estamos em uma correria.

Como foi o processo de escrita do livro ““Pense como dono”?

Meu mentor, Joel Jota, me incentivou a colocar minhas ideias no papel. O livro surgiu da necessidade de atender uma demanda crescente de líderes. Eu estava limitada às 24 horas do dia e precisava encontrar uma forma de alcançar mais pessoas que buscavam meu trabalho fora da consultoria empresarial. A escrita foi uma estratégia para expandir o impacto, já que eu sentia que estávamos indo para um colapso.

Qual é sua principal dica de saúde mental para quem nos acompanha?

Você pode chegar ao topo, mas sem vender a alma no caminho. É bacana buscar o crescimento, mas é crucial curtir o processo, saborear a jornada. Não podemos ter aquela sede intensa de que precisar dar conta de tudo. Isso passa pelo autoconhecimento, que é contínuo, e por avaliar onde colocamos nossa intensidade. Nunca deixe de buscar ajuda: às vezes, sozinho, a gente consegue, mas passa por um “trabalho do cão”. Com suporte, tudo flui mais leve.

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