Obra da Ponte dos Vales deve iniciar entre julho e agosto

Projeto executivo passa pelos últimos ajustes no Daer

A construção da Ponte dos Vales deu um dos passos mais importantes desde que o projeto passou a ser defendido pelas lideranças do Vale do Taquari. A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) emitiu a Licença Prévia e de Instalação para Alteração, autorizando o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) a implantar a ERS-247. O empreendimento inclui uma ponte de aproximadamente 1,26 quilômetro de extensão sobre o Rio Taquari, que conectará a ERS-129 e a ERS-130 entre Estrela e Cruzeiro do Sul.

Apesar da liberação, isso não significa que as máquinas entrarão imediatamente em operação. Ainda restam procedimentos técnicos e administrativos antes do início efetivo da construção. Entre eles está a conclusão e aprovação do projeto executivo, documento que detalha todos os aspectos da obra e servirá de base para sua realização.

Em resposta à Folha Popular, o Daer informou que o projeto executivo deverá ser concluído ainda em julho, o que permitirá o início das obras na sequência. A autarquia também confirmou que o cronograma geral permanece inalterado e que a previsão de entrega da Ponte dos Vales segue para 2027.

Para o empresário Nilto Scapin, um dos principais articuladores da mobilização regional em favor da obra, a licença ambiental elimina um dos maiores obstáculos enfrentados até aqui. “Sabemos que o licenciamento ambiental leva bastante tempo em função da magnitude da obra. Felizmente essa etapa foi aprovada. Era uma das grandes demandas que precisavam ser atendidas”, afirma.

Apesar do avanço no licenciamento, Scapin destaca a aprovação definitiva do projeto executivo. O documento foi elaborado pelo Consórcio Novo Vale e entregue ao Daer, mas retornou para complementações técnicas: “O departamento pediu algumas alterações e justificativas técnicas.”

Para Scapin, o rigor adotado pelo Estado nessa análise é necessário diante da complexidade do empreendimento. “Estamos falando de uma das maiores obras de reconstrução do Rio Grande do Sul. É uma obra grande, complexa e extremamente importante para a infraestrutura do Vale e do estado. Nesta fase de projetos e planejamento, é preciso ter muito cuidado. Não pode haver falhas”, ressalta. A declaração ajuda a explicar por que as fundações, inicialmente previstas para iniciar em junho, ainda não começaram.

Embora o Daer não tenha informado uma data específica para o início da construção, Scapin acredita que, se os trâmites restantes forem concluídos conforme o esperado, a mobilização do canteiro poderá ocorrer entre o fim de julho e o início de agosto. “O Daer está muito empenhado nisso”, afirma ele.

Desapropriações seguem

Outro processo envolve as desapropriações das áreas necessárias para implantação da rodovia e da ponte. De acordo com Scapin, o decreto de utilidade pública das áreas já foi publicado, o que permite ao Estado avançar nas avaliações e negociações com os proprietários.

Caso não haja acordo sobre os valores das indenizações, os processos poderão ser encaminhados à Justiça. Ainda assim, isso não deverá impedir o andamento da obra. “O Daer solicita autorização judicial para entrar na área”, explica Scapin. A expectativa é de que as negociações ocorram de forma consensual.

Obra estratégica para os vales

As primeiras atividades ligadas ao empreendimento começaram ainda em janeiro, quando foram realizadas as sondagens geotécnicas que avaliaram as características do solo e forneceram os dados necessários para o desenvolvimento do projeto executivo.

Além da travessia, o empreendimento contempla novos acessos elevados, planejados para reduzir os impactos provocados pelas enchentes e garantir maior segurança à circulação de veículos.

Com investimento estimado em aproximadamente R$ 288,6 milhões, a Ponte dos Vales integra o Plano Rio Grande, programa estadual voltado à reconstrução da infraestrutura após a catástrofe climática de 2024. A execução será realizada pelo Consórcio Novo Vale, formado pelas empresas Construtora Cidade, Traçado Construções e Serviços e Sultepa Construções e Comércio.

Quando concluída, a estrutura deverá representar uma importante alternativa logística para os vales do Taquari e Rio Pardo, ao ampliara integração entre os municípios, fortalecer o escoamento da produção e oferecer uma nova ligação sobre o Rio Taquari em situações de emergência.

Mobilização que atravessou anos

Defensor da obra desde as primeiras discussões, Scapin avalia que o momento representa uma conquista construída coletivamente: “Foi um gol de placa. Essa obra mostra o que acontece quando uma região se une. Lideranças, entidades públicas e privadas trabalharam juntas pelo mesmo objetivo.”

Na avaliação do empresário, os benefícios vão muito além da ligação entre dois municípios. “O Vale do Taquari e o Rio Grande do Sul vão ganhar muito em logística com essa grande obra”, afirma ele, que destaca o apoio recebido do governo do Estado para que o empreendimento saísse do papel.

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