Celebrado neste sábado (4/7), o Dia Internacional do Cooperativismo evidencia a dimensão econômica e social do modelo que fundamenta o desenvolvimento regional. Dados apresentados no estudo Expressão do Cooperativismo mostram que as cooperativas gaúchas alcançaram faturamento recorde de R$ 103 bilhões em 2025, crescimento de 10% em relação ao ano anterior.
No Vale do Taquari, a força do setor reflete em números expressivos. A região reúne 18 cooperativas que somam mais de 500 mil associados, número superior ao da população regional. O modelo movimentou R$ 7,6 bilhões em 2025, alta de 14% na comparação com 2024, e é responsável por 6.842 empregos diretos.
Para o presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul – Sistema Ocergs, Darci Hartmann, o desempenho demonstra a capacidade das cooperativas de transformar crescimento econômico em desenvolvimento. “Os resultados de 2025 confirmam a capacidade do cooperativismo de gerar valor mesmo em cenários adversos, ao transformar crescimento econômico em desenvolvimento para as comunidades nas quais está presente”, destaca.
Os resultados sólidos do presente reforçam a importância de garantir a perenidade do modelo. O futuro do cooperativismo regional é construído diariamente dentro das salas de aula, onde as cooperativas escolares representam espaços de aprendizado sobre participação, liderança, responsabilidade e tomada de decisão coletiva.
Exemplo regional
Em Teutônia, o trabalho das cooperativas escolares teve início em 1997, a partir de parceria entre o município e a Sicredi Ouro Branco RS/MG. A primeira experiência foi implantada na Escola Municipal Dom Pedro I, em Linha Clara, com a Eccuart, que completa 29 anos de atuação em 2026. Hoje, o município possui 10 cooperativas escolares em andamento, sendo um dos maiores contingentes estudantis cooperativistas do Rio Grande do Sul.
De acordo com a coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental de Teutônia, Marciane Sperotto, o movimento ganhou nova estrutura em 2015, quando começou o planejamento pedagógico específico. A implementação das cooperativas nas escolas foi acompanhada de uma série de ações voltadas à formação de professores, oficinas, jornadas pedagógicas e outras atividades de capacitação.
Atualmente, o programa integra o Projeto Político-Pedagógico das escolas da rede municipal. Marciane explica que o principal objetivo pedagógico é permitir que crianças e adolescentes vivenciem, na prática, os princípios do cooperativismo. “O grande diferencial está justamente na formação cidadã, porque percebemos que esses estudantes se tornam mais ativos dentro da sociedade”, afirma ela.
Conforme Marciane, além do trabalho em equipe, as cooperativas também permitem que os estudantes tenham contato com práticas de gestão. “Eles realizam assembleias, organizam o processo eleitoral, registram atas, mantêm livro-caixa e assumem funções como presidente, vice-presidente, secretário e tesoureiro”, explica a coordenadora.
Segundo ela, cada cooperativa desenvolve ainda um objeto de aprendizagem, que pode se transformar em produto ou serviço voltado às necessidades da comunidade escolar. Entre as iniciativas estão a produção de sacolas retornáveis, sabão caseiro, artesanato e outros projetos sustentáveis.
“O foco principal não é o lucro, mas permitir que eles vivenciem todo o ciclo de funcionamento de uma cooperativa, compreendam a importância do planejamento, da gestão democrática, da participação e da cooperação”, destaca.

Presidente da CoopeCT, Maria Valentina Müller Vogel (c) destaca os aprendizados do cooperativismo / Crédito: Divulgação
Mais antiga do Sul do Brasil
Exemplo nacional devido à longevidade, a Eccuart é reconhecida como a cooperativa escolar mais antiga do Sul do Brasil. Prestes a completar três décadas de atuação, a iniciativa tornou-se referência na formação de estudantes comprometidos com os princípios do cooperativismo.
Professora orientadora da Eccuart, Angelita Lohmann afirma que a trajetória longeva é motivo de orgulho para toda a comunidade escolar. Segundo ela, nesses 29 anos, a organização passou por mudanças para acompanhar a evolução do movimento cooperativista estudantil.
Embora mantenha os mesmos princípios, as transformações são evidentes. Em outros períodos, os estudantes atuavam em projetos ligados à horta escolar e ao ajardinamento do pátio. “Hoje, as ações envolvem sustentabilidade, Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), educação ambiental e produção de conteúdo digital”, detalha.
Entre os projetos desenvolvidos estão a pintura de sacolas ecológicas, a reutilização de embalagens longa vida, a produção de chaveiros com restos de lã e o recolhimento de óleo de cozinha, usado para fabricação de sabão caseiro.
“Os encontros dos estudantes acontecem regularmente e incluem planejamento das atividades, elaboração de atas, organização do livro-caixa, estudos sobre cooperativismo e dinâmicas voltadas ao trabalho em equipe”, ressalta Angelita.
Para ela, os principais ganhos proporcionados pela experiência ultrapassam o período estudantil. O aprendizado mais comentado por quem vivenciou uma cooperativa escolar é a habilidade de se comunicar em público e a destreza para trabalhar juntos. “Os mais novos aprendem com os mais velhos, uns aprendem com os outros e, assim, se fortalecem. Isso fica para a vida”, afirma.
Formação de lideranças
Ao todo, 535 estudantes participam das atividades das cooperativas escolares de Teutônia. A estudante Maria Valentina Müller Vogel é presidente da Coopect, do Colégio Teutônia. Segundo ela, a experiência proporciona aprendizados que serão levados para toda a vida.
Ela conta que o interesse pelo projeto surgiu pela oportunidade de desenvolver as competências ligadas ao programa. “Quando conheci melhor a proposta, percebi que seria uma ótima oportunidade para aprender sobre liderança, responsabilidade e trabalho em equipe”, relata.
Como presidente, Maria Valentina destaca que uma das principais responsabilidades é incentivar a participação dos colegas e contribuir para a organização das atividades.
“Significa representar a cooperativa, ajudar na organização e incentivar o envolvimento de todos”, afirma.
Segundo ela, administrar uma cooperativa escolar também apresenta desafios, especialmente em relação ao comprometimento dos integrantes e à organização das atividades. “Aprendi a ouvir mais as pessoas, me organizar melhor e entender a importância da colaboração”, diz a jovem.
Para o futuro, Maria Valentina pretende levar consigo os princípios do cooperativismo. “Quero aplicar esses valores na minha vida, trabalhando com responsabilidade, respeito e cooperação”, projeta.
Rio Grande do Sul – 2025
R$ 103 bilhões em faturamento (+10%)
R$ 6,2 bilhões em sobras (+24%)
4,4 milhões de cooperados
80 mil empregos diretos
Presença em 490 dos 497 municípios
Participação de cerca de 14% do PIB gaúcho
Vale do Taquari – 2025
18 cooperativas
524.677 cooperados
6.842 empregos diretos
R$ 7,6 bilhões em ingressos (+14%)
R$ 22,1 bilhões em ativos (+18%)
R$ 4,2 bilhões de patrimônio líquido
R$ 816,3 milhões em sobras do exercício
Cerca de 12% dos cooperados do estado estão na região
O Vale responde por aproximadamente 7,4% do movimento econômico cooperativo gaúcho
10 cooperativas escolares em Teutônia
– Eccuart, da Emef Dom Pedro I, de Linha Clara
– Coop 24 de Maio, da Emef 24 de Maio, do Loteamento 8
– Coope, do Ieceg, do Bairro Canabarro
– Coopeat, dos jovens aprendizes do Colégio Teutônia, do Bairro Teutônia
– CoopeCT, do Colégio Teutônia, do Bairro Teutônia
– Coopemef, do Cemef Leonel de Moura Brizola, do Bairro Centro Administrativo
– Cooperales, da Emef Leopoldo Klepker, do Bairro Alesgut
– Cooperas, da Emef Professor Alfredo Schneider, do Bairro Teutônia
– Coopertec, da Emef Professor Teobaldo Closs, do Bairro Canabarro
– Cooper Vilapop, da Emef Professor Guilherme Sommer, da Vila Popular

