Painel sobre álcool e redes sociais busca alertar pais

Colégio Madre Bárbara realiza evento com profissionais para informar pais

A informação e o alerta marcaram a noite de segunda-feira (9) no Colégio Madre Bárbara. O Serviço de Orientação Educacional (SOE) com a parceria da Associação de Pais e Mestres (APM) realizou o painel com o tema “Os riscos dos adolescentes de hoje: álcool e redes sociais” que teve a participação de vários painelistas, entre eles: a psicóloga Daniela Graef, o médico psiquiatra Olivan Dos Santos Moraes, o promotor Neidemar Fachinetto e a mediadora médica Letícia Leite. O Grupo de Teatro Touchê do CMB também utilizou o tema Álcool e Redes Sociais em uma esquete feita com sombras.

O Serviço de Orientação Educacional que organizou o evento, afirma que a família tem um papel de extrema importância na prevenção ao uso de álcool e acessos a redes sociais. “Queríamos proporcionar um momento de reflexões desses temas e contribuir para uma maior segurança e clareza para lidarem com os desafios que os alunos enfrentarão pela vida”, dizem as orientadoras educacionais Anice Nunes e Odete Spessatto.

Segundo elas, atingiram o objetivo com o painel que era convidar os pais e dar mais subsídios e informações para orientarem ainda mais os filhos. “Pensamos com muito carinho na diversidade dos convidados trazendo a questão das redes sociais, álcool e drogas junto com o tema legislação. Todo o cuidado é pouco, é preciso prevenir e dar esse olhar e o Colégio Madre Bárbara está aqui para auxiliar e dar esse suporte”, afirmam.

Todo cuidado é pouco

A psicóloga Daniela Graef alertou os pais sobre o perigo da realidade das redes sociais e os cuidados que devem ter na adolescência dos filhos. “É uma idade em que ficam marcados por uma fase de testes. O jovem vai atrás dos desafios e na maioria das vezes os pais não tem ideia do que o adolescente acessa. Nessa velocidade das coisas muitos pais dizem que não entendem sobre as tecnologias e enquanto isso eles andam soltos. Minha sugestão é que marquem mais presença”, conta a psicóloga, afirmando que não é porque o filho está fechado no quarto que está em segurança. “Às vezes pergunto para os jovens no consultório como os pais iriam protegê-los e eles dizem que se olhassem o histórico do computador ou celular”. Daniela afirma que existe ainda o excesso de exposição entrando como compulsão nas questões virtuais.

O promotor Neidemar Fachinetto fez duas abordagens e “mandou a real” para os pais. Segundo ele, os pais acreditam que o álcool é um problema que só atinge os outros, mas ao apresentar os dados chocantes de Lajeado e do Rio Grande do Sul mostra a realidade da região. Em pesquisa realizada em 2012 com jovens de 12 a 17 anos 64% já ingeriram bebida alcoólica. “A partir disso fiz um confronto dessa realidade tão dramática para que vissem que temos uma legislação protetiva e esse paradoxo, incentivando os pais a buscarem mais informação. Quanto mais informações tiverem, melhores serão as decisões que irão tomar no momento que a oferta existir”, afirma o promotor, mostrando que é necessário incentivar ações positivas, colocando os pais na condição de exigir das autoridades que cumpram a lei. “É preciso incentivar as boas práticas e fiscalização para reduzir os índices de contato, consumo e prejuízo na vida das mais diversas formas. Se queremos adolescência feliz, segura e que as capacite para uma vida adulta com responsabilidade temos que chamar atenção que essa é a nossa realidade, e conhecer é o primeiro passo”.

O médico psiquiatra Olivan Dos Santos Moraes agradeceu o convite e a iniciativa da escola de trazer esse debate para comunidade escolar de forma aberta. “É bem importante tocar em detalhes que sabemos e precisamos estar lembrando, informando e discutindo. Quando falamos de alcoolismo, falamos de uma doença crônica que geralmente tem início na infância e adolescência”, conta o médico salientando que a ideia é fazer um trabalho para que as pessoas possam ter mais cuidado com um tema tão delicado e lembrar e relembrar o papel dos pais, que é fundamental nesse processo.

A médica ginecologista Letícia Leite foi mediadora do painel e destaca que o álcool é uma realidade do jovem hoje e é preciso mostrar aos pais e próprios adolescentes que existe toda uma questão jurídica e de saúde do porque não usar álcool antes dos 18 anos. “Às vezes vivemos em uma sociedade que está um pouco mais liberada pela mídia, pela novela, filmes e os pais não sabem como orientar, afinal está tudo tão moderno. Queríamos mostrar que existe toda questão legal e médica. Acredito que existiam pais com dúvida e queríamos alertar”, diz.

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